Lado B: muito lixo e tumulto no metrô

Reforço na coleta não foi suficiente; Estação São Bento, entupida de gente, precisou ser fechada durante a madrugada

Naiana Oscar e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

Mesmo com o reforço de 24 caçambas, a coleta de lixo na 5ª edição da Virada Cultural, realizada no fim de semana na cidade, foi insuficiente. O acúmulo de detritos foi visível sobretudo durante a madrugada e a manhã de ontem. Segundo informou a São Paulo Turismo (SPTuris) - empresa da Prefeitura de São Paulo e uma das responsáveis pelo evento -, a situação estava normalizada ontem à tarde.O principal problema, segundo a SPTuris, foi o fato de o evento ter atraído um grande público em número bem acima do esperado. Os funcionários de coleta de uma empresa contratada pela Prefeitura não conseguiam acessar algumas áreas. O problema do lixo deve constar no relatório de pontos a melhorar para as próximas edições.A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que a lavagem do Centro teve início às 18 horas de ontem. Seriam utilizados caminhões de lixo, pipa e um terceiro que disponibiliza jato de água em alta pressão. A previsão é que a limpeza seja concluída apenas na manhã de hoje. O número de funcionários convocados para o serviço não foi informado.À visão de ruas cobertas por sacos, latas, garrafas e restos de comida agregou-se o cheiro de urina que tomou a cidade, cuja causa não era apenas a má educação das pessoas.Os banheiros químicos, em número de 900 segundo a prefeitura (três vezes mais que em 2008), não foram suficientes para a demanda, sobretudo próximos aos principais palcos do centro. Congestionados, espalharam mau cheiro por todo o ambiente. Para não compartilhar as cabines químicas com outras 4 mil pessoas (em média), a alternativa foi fugir para os bares e padarias que liberaram os banheiros - alguns sem exigir consumo no estabelecimento, outros pedindo até R$ 2 apenas para o uso do sanitário.Mais filas então se formaram, chegando à espera de pelo menos 20 minutos durante a madrugada. Ao amanhecer era possível avistar verdadeiras lagoas de urina em pontos mais baixos do calçamento da Avenida São João.A Estação República do Metrô, interditada no sábado, voltou a funcionar ontem às 8h45, um dia antes do prazo previsto. Com a operação dos trens prejudicada e o movimento intenso, houve tumulto nas estações da região central do início do evento até a madrugada de ontem. Na São Bento, às 3 horas, os portões foram fechados por cerca de 15 minutos porque as plataformas não comportavam mais passageiros. Na estação Anhangabaú, onde os usuários precisavam descer e tomar um ônibus até Santa Cecília para chegar à Barra Funda, também houve interdição por volta das 20 horas de sábado. "Fechamos durante 30 minutos para preservar a estação por causa do movimento", disse Wilmar Iratini, gerente de operações do Metrô.A operação na Estação República foi interrompida para obras da Linha Amarela com o "megatatuzão", equipamento usado para escavações. A previsão inicial dos engenheiros era que os trabalhos se estenderiam até hoje de madrugada. "Fizemos um esforço para minimizar o impacto, já que sofremos um pouquinho no dia anterior com o acúmulo de pessoas", afirmou Iratini.Quem optou por se locomover de ônibus na região central também teve problemas. Os coletivos chegaram a ser desligados nos locais com aglomeração. COLABOROU BETH NÉSPOLI

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