La nave va

ORGULHO - Zé Celso começou o ano sendo premiado na 1.ª edição do Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro pelo espetáculo Vento Forte para Papagaio Subir, sua primeira peça, reencenada em comemoração aos cinquentenário do Teatro Oficina. "Um grupo viver 50 anos de maneira livre, nada corrupta, nada institucional - eu me orgulho disso. Fiquei muito feliz. O paulistano não tem muito amor pelas coisas de sua cidade e acho que cabe a nós artistas despertamos esse sentimento."Uma exposição sobre o Oficina realizada no Rio, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, deve chegar em breve à cidade, abrigada pelo Sesc. "O Itaú também vem nos apoiando e está preparando uma exposição e um documentário." Zé Celso aposta nesse apoio para conseguir exibir os DVDs de seus espetáculos nos cinemas. "O nosso teatro não é filmado de maneira tradicional, não está preso à reprodução. Uma troca de roupa tem um tempo que é eliminado na edição do filme, o que dá outro dinamismo; a câmera revela ângulos que o olhar do espectador não capta; como não trabalhamos em palco italiano são muitos os pontos de vista e tem a câmera carne, colada no corpo do ator. Na edição cria-se um caleidoscópio de imagens. Claro, os primeiros DVDs não têm a qualidade que terá Os Sertões, porque a tecnologia avançou muito. Mas o impacto da linguagem já está lá. Fizemos uma exibição na França de Boca de Ouro e a recepção foi extraordinária, o filme foi identificado como um objeto artístico novo, a presença do público eletriza."Se os DVDs são um sonho já realizado, o mesmo não se pode falar do Teatro Estádio, a expansão do Oficina. É desoladora a paisagem no entorno do Oficina - um desavisado poderia pensar que foi transportado para a faixa de Gaza. "Ali era a Sinagoga, naquele prédio vivia o Ariclenes", diz Zé Celso apontando escombros de edificações demolidas à volta do teatro, no terreno que pertence ao grupo empresarial Silvio Santos. O que essa destruição anuncia? "Não sei se um shopping ou um condomínio", diz Zé Celso. "Continuamos lutando junto ao Iphan pelo tombamento do entorno." Sem jamais desanimar, Zé Celso ensaia Cacilda 2 para estrear em agosto e planeja uma excursão com DVDs e espetáculos a bordo de um barco que percorrerá o litoral e, depois, o Rio Amazonas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.