Kurt Cobain carregou guitarras para eles

The Melvins, influência do Nirvana, vem com som turbinado por duas baterias

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2008 | 00h00

Antes de tornar-se um mito do rock internacional, Kurt Cobain, vocalista, compositor e guitarrista do Nirvana, foi roadie - ajudante de palco - de uma banda. Que banda era essa?Isso mesmo: The Melvins, esses malucos que agora estão chegando ao Brasil para o festival Orloff Five. E Cobain não foi apenas roadie dos Melvins: foi também tiete declarado do grupo de Washington. ''O Melvins é a maior banda do mundo, e minha maior inspiração'', teria declarado o cantor do Nirvana. Cobain nasceu na mesma cidade onde o Melvins foi formado por volta de 1983: Aberdeen. De fã, ele acabou se tornando colaborador: trabalhou com o Melvins no disco Houdini (1993), produzindo e mixando faixas.O Melvins é considerado um dos mais influentes grupos do rock independente norte-americano. Formado há 25 anos, lançou cerca de 25 discos por selos como C/Z, Amphetamine Reptile, Ipecac. Nunca pára: atualmente, ainda faz cerca de 100 shows por ano. ''É você e o público, o homem contra a máquina. É o tipo de experiência que você não terá em seu computador ou na TV. A melhor música te carrega'', diz o urso do cabelo duro Buzz Osbourne, guitarrista da banda, mais conhecido como King Buzzo, um decano do rock underground americano. Buzz conversou com o site da Gibson.Com o passar dos anos, desenvolveu um estilo próprio, mais lento, e que hoje recebeu o apoio tático de duas baterias, o que modifica substancialmente o som que se ouve no palco. ''Estávamos procurando por um novo baixista após lidar com uma série de problemas internos, e vimos o Big Business (duo que usa somente baixo e bateria no palco) tocar. Ficamos impressionados e, em vez de só perguntar ao seu baixista, Jared Warren, se ele não queria tocar com a gente, convidamos os dois. Não é que a gente precisasse de dois bateristas, mas foi assim que fizemos e desse jeito reinventamos a banda. É como tocar debaixo de um trem desgovernado. Isso turbinou nosso som'', diz Buzz Osbourne.Em 2007, a revista Wire dedicou uma capa ao Melvins, classificando-o como ''The Kings of Noise'' (Os Reis do Barulho). Com duas baterias (o novo integrante é Coady Willis), isso nunca soou tão verdadeiro. ''Somos acidentalistas, não improvisadores.''O Melvins chega a São Paulo a bordo de um disco novo, Nude With Boots (Ipecac, 2008), no qual se arrisca em misturas mais insólitas. Hardcore de boa cepa, com faixas pesadíssimas, como Dog Island e It Taste Better Than the Truth. ''Nunca tivemos qualquer tipo de limitação. Quando começamos, havia muita coisa punk boa: Black Flag, Throbbing Gristle, muito hardcore. Essa energia me atraía, especialmente o Black Flag. Muita gente diz que nós temos influência do Black Sabbath, mas é muito mais Black Flag. Mas depois o punk rock se contentou em ser uma espécie de subgênero. E nós estamos em movimento'', disse Osbourne.

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