Giuseppe Cacace/ AFP
Giuseppe Cacace/ AFP

Justiça italiana suspende empréstimo de obra de Leonardo da Vinci para o Louvre

Itália e Paris haviam firmado acordo que permitia o intercâmbio temporário de obras entre os países. Ministério da Cultura italiano classificou ação como 'incompreensível'

AFP, Agências

09 de outubro de 2019 | 14h42

A justiça italiana suspendeu na terça-feira passada, 8, uma autorização que permitia O Homem Vitruviano, famoso desenho do artista renascentista Leonardo da Vinci, deixar o país europeu. O anúncio foi feito pela associação Itália Nostra, que já tinha acertado todos os detalhes necessários para a obra ser emprestada ao Museu do Louvre, na França.

O Tribunal Administrativo Regional (TAR) de Vêneto, que deve se manisfestar sobre esta decisão apenas no dia 16 de outubro, recebeu uma ação da Itália Nostra que alegava defesa do patrimônio e que categorizava o empréstimo como uma violação do código de propriedade cultural do país. Segundo esta orientação, "não podem sair do território os bens que constituem as principais atrações de uma seção específica" de um museu, galeria de arte, biblioteca, coleção de arte ou bibliográfica.

Simultaneamente, o TAR também suspendeu o acordo firmado em Paris, no final de setembro deste ano, entre o Ministério da Cultura italiano e o museu do Louvre, que acertava o intercâmbio de obras de Leonardo da Vinci e também do pintor Rafael Sanzio entre ambos os países.

Em virtude deste acordo, cinco obras de Rafael, duas pinturas e três desenhos, além de dois estudos de desenho de Giovanni Francesco Penni, todos atualmente expostos no Louvre, seriam emprestados à Itália para a exposição Rafael, que deverá ser aberta em março do ano que vem no Palácio Quirinal, em Roma.

Mas essa situação não é de agora. O governo italiano anterior, no qual a Liga Matteo Salvini tinha um peso preponderante, não era a favor de emprestar as obras e também não era a favor da exposição sobre Leonardo da Vinci no Louvre, destacando que o grande mestre renascentista, que morreu quinhentos anos atrás, era originalmente italiano, apesar de ter vivido seus últimos três anos na França. Questionado, o Ministério da Cultura italiano classificou como "incompreensível" a decisão do TAR.

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