Juca de Oliveira divide indignação com o público

Na peça Happy Hour, ator conversa sobre os problemas vitais da sociedade

, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

Juca de Oliveira é um homem indignado - com a corrupção política, com o trânsito caótico, com o descaso com a natureza. Tal revolta chega para público no formato de comédias com um forte viés político, como Caixa 2 e Às Favas com os Escrúpulos, todas de enorme sucesso. Como a ficção não foi suficiente para extravasar seu repúdio às mazelas da sociedade, Juca organizou um punhado de textos ainda não utilizados para formar Happy Hour, monólogo que estreia hoje para convidados, no Teatro Jaraguá.Desta vez, não há uma história fictícia que serve de sustentação para diálogos mordazes - em cena como ele mesmo, Juca senta-se em um bar e, enquanto beberica, conversa com a plateia sobre problemas diversos, desde o engarrafamento monstro que marca o trânsito da cidade na véspera de feriados até o uso imoral de passagens aéreas pelos políticos brasileiros. "Toda peça que escrevo é sobre algo que me incomoda", conta ele, 74 anos de vida, 48 como ator. "Em Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Melhor que a Nossa, por exemplo, foi a forma que encontrei para discutir problemas com a minha filha, que não me ouvia." O teatro, portanto, mais que a televisão e o cinema, tornou-se seu canal de comunicação mais certeiro. E, como está há tanto tempo nos palcos, Juca percebeu que a plateia tornou-se parte de sua família, daí a ideia de compartilhar pensamentos sobre as contradições do cotidiano."Na verdade, Happy Hour nasceu do apoio do Jô Soares, que me incentivou a transformá-los em um monólogo." Com a experiência de quem já participou de sete "one man shows", espetáculos em que o ator conversa diretamente com o público, Jô ficou entusiasmado com o teor crítico e irônico do texto. "Sugeri cortar alguns excessos do monólogo - afinal, ninguém melhor que um gordo para identificar as gordurinhas", brinca Jô, que assumiu a direção da peça. "Juca tem um ótimo olhar crítico para mostrar que os problemas continuam mesmo com a mudança de governo."O humor foi definido como linha mestra para que o texto não soasse excessivamente crítico. Apesar de já ter encenado monólogos antes, Juca terá pela primeira vez a experiência de manter um contato direto com a plateia que, incentivada, poderá reagir às provocações do ator. "Para enfrentar isso, a experiência do Jô foi de grande valia", comenta. "Fizemos algumas simulações para que o Juca não fique totalmente desprevenido diante da reação do público", completa Jô que ainda não previu janelas, ou seja, momentos para comentários sobre assuntos mais atuais. "Primeiro, é preciso o texto criar raízes. Depois liberamos."ServiçoHappy Hour. 60 min. 16 anos. Teatro Jaraguá. Rua Martins Fontes, 71, Centro, 3255-4380. 5.ª a sáb., 21h30; dom., 19 h. R$ 60. Até 12/7

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.