Jogo de ambiguidades na gravura e escultura

A obra do português José Pedro Croft está em duas mostras

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

O artista português José Pedro Croft, um dos mais destacados da produção contemporânea de seu país, é um escultor por natureza, mas também se dedica às questões escultóricas por meio da gravura. Sendo assim, faz-se oportunidade dupla agora em São Paulo de se ver na Estação Pinacoteca e na Marília Razuk Galeria de Arte essas vertentes de sua criação, em mostras que acabam de ser inauguradas. No terceiro piso do museu, estão apenas obras gráficas de Croft, realizadas entre 1991 e 2007 (entre elas, livros feitos com a poeta Aurora Garcia e com a artista Ana Jotta); já na galeria, ficam expostas cinco peças feitas em ferro zincado e esmalte industrial, todas recentes - e há ainda duas criações sobre papel."Trabalho os mesmos problemas na escultura e na gravura, as questões da limitação do espaço, os campos de profundidade, as relações de peso, densidade e luz, do cheio e do vazio", diz José Pedro Croft. Em janeiro de 2007 ele - mesmo que já tinha antes exposto no País - fez uma ampla exposição também no museu, o que permitiu ver seu vocabulário de temas, em panorâmica. O artista português usa como base o que ele chama de "geometria pedestre", que carrega algo do humano porque não é fria, não importa se as obras sejam a do campo do bidimensional ou tridimensional.Uma questão de corpo é fundamental em sua produção. Nas belas gravuras da exposição na Estação Pinacoteca, essa expressão se faz pela cor das águas-tinta, sempre em jogo ambíguo entre o vibrante e o não-vibrante, entre os planos coloridos e as bordas do papel em cru. "As cores são campos de energia, têm profundidade, densidade, transparência", afirma Croft, reforçando uma vertente ?corporal? da própria matéria cromática. Na gravura, ele diz, a feitura, artesanal, requer um tempo mais lento, mas isso não quer dizer que o trabalho dispense certa relação incisiva do corpo, gestual, escultórica, sobre o papel. Com a técnica da maneira negra, Croft abre espaços em branco em cima da tinta, com o uso de máquina.Na Marília Razuk, as obras escultóricas, em ferro, são como desenhos diretos e velozes. A geometria livre está nelas, que também recebem cores, mas há o embate da forma e não-forma, do cheio e do vazio novamente. ServiçoJosé Pedro Croft Estação Pinacoteca. Lgo. Gal. Osório, 66, Luz, 3337-0185. 10h/18h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 15/10 Marília Razuk Galeria de Arte. Rua Jerônimo da Veiga, 62 lj.2, 3079-0853. 10h30/ 19h (sáb. 11h/ 15h; fecha dom.). Até 21/10

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