CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO

Jochen Volz será o novo diretor da Pinacoteca em 2017

O historiador de arte e crítico alemão, curador da 32ª. Bienal de São Paulo, substitui Tadeu Chiarelli na função a partir de maio

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2016 | 17h56

Curador da 32ª. Bienal de São Paulo, que termina neste domingo, o alemão Jochen Volz assume dois compromissos em maio do próximo ano: como curador da participação oficial brasileira na 57ª. Bienal Internacional de Arte de Veneza e como novo diretor- geral da Pinacoteca do Estado de São Paulo, substituindo o professor Tadeu Chiarelli, que volta a dar aulas na Universidade de São Paulo. Volz já foi cocurador da mostra de Veneza em 2009, organizando a seção internacional da bienal italiana, Fare Mondi / Construindo Mundos.

Com larga experiência em exposições internacionais, como a primeira edição da conceituada Trienal de Aichi (Nagoya, Japão), realizada em 2010, e administrador de espaços culturais como o de Inhotim, em Minas, o historiador de arte Jochen Volz, nascido em Braunsweig, Alemanha, há 45 anos, é curador desde os 32 anos. No centro cultural de Inhotim, Volz foi responsável pela criação de 12 pavilhões dedicados a contemporâneos, entre eles Hélio Oiticica, Lygia Pape, Matthew Barney, Rirkrit Tiravanija e Tunga.

Sua primeira experiência na Bienal de São Paulo aconteceu há dez anos. Convidado a participar como um dos curadores, ele escolheu o poeta, cineasta e artista conceitual belga Marcel Broodthaers (1924-1976), que se associou ao Grupo surrealista Revolucionário de Bruxelas nos anos 1940. Foi uma das melhores salas da mostra em 2006.

Volz assume a direção da Pinacoteca do Estado num ano que não promete ser melhor com relação a verbas destinadas à cultura, considerando o atual quadro econômico. Alguns projetos de maior ambição tiveram de ser repensados e pode ser que, eventualmente, os planos de internacionalização do museu não se realizem – comenta-se extraoficialmente que o convite a Volz, crítico com livre trânsito no mercado europeu de arte, poderia facilitar o cumprimento dessa meta.

O fato é que a simplificação do nome Pinacoteca para Pina, feita este ano, não teve apenas uma razão formal ou estética. O objetivo é claro: ter apenas quatro letras, como a Tate de Londres, com as quais o público (interno e externo) se identifique. Volz, a propósito, tem laços estreitos com a Tate Modern de Londres. Foi diretor das Serpentine Galleries na capital inglesa.

De qualquer modo, o novo diretor-geral terá obrigatoriamente de refletir sobre a vocação inicial da Pinacoteca do Estado, cujo acervo, acumulado nos seus 110 anos de existência, privilegia os artistas brasileiros do século 19. O atual diretor, Tadeu Chiarelli, por exemplo, tentou reorganizar essa coleção, construindo uma narrativa sobre a evolução da arte brasileira a partir desse acervo.

Para o próximo ano já estão programadas uma retrospectiva do pintor modernista Di Cavalcanti e mostras da fotógrafa alemã Candida Höfer e do artista belga David Claerbout. Uma parceria com o Museu d’Orsay de Paris deve render uma megaexposição em 2018. Antes, a instituição francesa que reúne os impressionistas colabora, em 2017, com a retrospectiva de Toulouse-Lautrec no Masp.

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