João Donato e o espírito da felicidade

Pianista acreano, que lança novo disco até o fim do ano, se apresenta com convidados no Auditório Ibirapuera hoje e amanhã

O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

Uma iniciativa da Rádio Eldorado, a exposição interativa e multimídia Bossa''50 abre as portas ao público no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na próxima terça (dia 15). Gratuita, ela tem a preocupação de contar as influências e os desdobramentos do movimento bossa-novista que mudou o panorama musical brasileiro em meados do século passado. Ela vai até 24 de agosto.Faz também 50 anos que a Rádio Eldorado foi criada. Ela foi a primeira no Brasil a tocar Chega de Saudade.''Em 1958, a Eldorado foi a única que teve coragem de tocar a música de Vinicius de Moraes e Tom Jobim em ritmo de bossa nova'', diz Miriam Chaves, diretora-executiva da rádio. Miriam diz que a Eldorado combina com a bossa nova, porque tem no DNA a união entre sofisticação e simplicidade.A curadoria da exposição é do professor da PUC-SP Walter Garcia Jr. Autor de Bim Bom: A Contradição Sem Conflitos de João Gilberto (Paz e Terra, 1999), Walter Garcia Jr. se preocupou em traçar um painel que tanto olhasse para o passado como para o futuro da bossa nova. ''A extensão da bossa nova é maior do que 1958, a gente escolhe uma data porque precisa de um marco para estabelecer mudanças'', ele diz.Walter Garcia Jr. considera como marco da bossa o 78 rotações de João Gilberto com as obras Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (João Gilberto), e não o elepê Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, onde pela primeira vez aparece a batida de violão joãogilbertiana. ''A interpretação de Elizeth não é bossa nova, ela canta de outro jeito'', ele explica. ''A bossa nova busca o que é essencial, e João Gilberto achou a essencialidade, é aquela coisa: se acrescentar sobra, se tirar, falta.''Nesse momento, segundo o professor da PUC-SP, a bossa nova vira uma arte para consumo de massa. ''Ela é generosa, é acessível, para as pessoas de pensamento sossegado, expressão emprestada de Mario de Andrade'', afirma.Bossa''50 volta ao anos 1930 para mostrar o caldo de cultura que culminaria na bossa nova. O modo de cantar de Noel Rosa, Mário Reis e Orlando Silva prenuncia o canto bossa-novista. A exposição mostra as outras fases da bossa nova, como o engajamento das canções de protesto. Também registra os desdobramentos, como a valorização do samba pela classe média e a ruptura dos tropicalistas.A intenção da curadoria de Bossa''50 é mostrar com simplicidade e inteligência o que possibilitou a modernização da música brasileira, no mesmo momento em que o Brasil estava voltado para a transformação de um país agrário-exportador em uma nação urbano-industrial. Para tanto, material iconográfico e informativo coletado em jornais e revistas da época vai mostrar fatos importantes daquela e de outras décadas. Mais de 250 fotografias saíram do arquivo da Agência Estado.O público poderá passear por 21 estações sonoras, onde estarão disponíveis cerca de 500 músicas, que varrem o período de 1930 até 2006 . Haverá a exibição de trechos de filmes em que a bossa nova esteve de algum modo presente. Fernando Faro cedeu entrevistas e interpretações dos artistas da bossa nova contidas no acervo do seu programa Ensaio. Com a seleção, Faro pretende mostrar o que foi essa ''revolução musical''. ''A bossa nova começou em 58 e continua, os músicos aprenderam mais sobre violão e harmonia, e os caminhos percorridos depois foram abertos por ela'', diz Faro. Além dos programas Ensaio, videoclipes de clássicos como O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) serão produzidos pelos diretores Paulinho Caruso, Ricardo Laganaro, Caio Cobra e Hugo Gurgel.O estilista mineiro Ronaldo Fraga criou figurinos inspirados em canções da turma bossa-novista e no espírito do movimento. Ele dá continuidade às criações inspiradas em Nara Leão, exibidas na São Paulo Fashion Week no ano passado.Cerca de 250 elepês, entre os quais 30 raríssimos, pertencentes à coleção de Caetano Rodrigues, contam por meio da criatividade gráfica um pouco mais da história da bossa nova. A pesquisa sobre as capas dos discos foi feita por Charles Gavin.Serviço João Donato. Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 2, 3629-1075.Hoje, 21 h; amanhã, 17 h.R$ 30 a R$ 130 (4.ª grátis)

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