João Callado, intimidade com ritmos da Lapa

Em sua estreia-solo, cavaquinista do Grupo Semente lança CD com 13 composições próprias e cuja capa é de sua autoria

, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

Assim como Teresa Cristina, Moyseis Marques e os grupos Casuarina e Tira Poeira, João Callado é uma cria da Lapa descoberta pela indústria fonográfica. Cavaquinista do grupo de samba Semente, que acompanha Teresa há 11 anos, ele já participou da gravação de vários CDs de outros artistas. Agora chegou a sua vez de ser protagonista. Callado assina 13 das 14 faixas do CD que leva seu nome e que tem na capa uma ilustração sua - é formado em belas-artes e mantém as duas paixões desde garoto.

A única que não é sua é o choro clássico Flor Amorosa, de Joaquim Callado (1848- 1880), o flautista e compositor "pai dos chorões" com o qual acredita ter algum grau de parentesco, ainda que distante. É nela que João se mostra solista; nas demais, divide espaço com músicos como Rildo Hora (gaita), Alexandre Bittencourt (flauta), Nando Duarte (violão de sete cordas) e Samuel de Oliveira (sax soprano), entre outros.

Samba, choro e modinha permeiam as faixas. Nove são instrumentais. Uma delas, Cinelândia, tem o belo piano de Maria Teresa Madeira. Para as cantadas, Callado convidou os amigos Moyseis (Ilusão, composição dos dois), Áurea Martins (Vício e Paixão, com Igor Lancellotti), e Alfredo Del-Penho (Vazio), companheiros da Lapa, e a atriz e cantora Soraya Ravenle (Risquei Teu Nome na Areia), sua mulher, a quem conheceu na peça Opereta Carioca (ela, cantando e atuando, ele, na direção musical).

Teresa - com quem divide o palco desde que a Lapa ainda não era a Lapa de hoje, com uma casa de música ao lado da outra e inacreditáveis engarrafamentos de carros e de gente - também está no CD, em Enganado Coração (parceria de Callado com Ana Costa). Os outros componentes do Semente foram convocados: Pedro Miranda (pandeiro), Bernardo Dantas (violão) e Trambique (surdo, caixa, reco-reco e tamborim).

"A gente começou quando o Semente (o bar que deu nome ao grupo) ainda era conhecido só como restaurante", lembra Callado, que, naqueles idos de 1998, dava expediente lá aos sábados, com Teresa & companhia, e às segundas, com seu outro grupo, o Abraçando o Jacaré, de choro. "O Semente acabou virando uma febre. Esse renascimento da Lapa coincidiu com o da música brasileira, do samba, do choro. Foi importante haver a consolidação disso para que agora a gente parta para fazer coisas novas."

Nessa década que passou, Callado se apresentou em praticamente todas as casas da região, e excursionou pelas Américas, Europa e a Ásia. Além de Teresa, o Semente acompanhou Paulinho da Viola, Marisa Monte, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho... Como compositor, já foi gravado por Teresa, Mariana Baltar e Moyseis Marques. A vontade de fazer um CD solo vem de dois anos, mas o músico precisava, primeiro, honrar os compromissos que tinha com muitos outros trabalhos. No dia 22 de setembro, ele faz show de lançamento na Modern Sound, em Copacabana.

O cavaquinista tem 36 anos e é filho da atriz Tessy Callado. A intimidade com a música vem do pai, Márcio Pereira, que produz o CD com o filho e com Luís Filipe de Lima; a vontade de escrever e o gosto pela pintura têm relação com o avô, o escritor Antonio Callado (1917-1 997), cuja biblioteca era cheia de livros sobre pintura.

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