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Itu revela em exposição tesouros descobertos em igreja de 1780

Pinturas de expoentes da arte sacra brasileira foram encontradas durante restauração; obras podem ser visitadas até agosto

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2015 | 14h48

SOROCABA - Durante mais de dois séculos, pinturas de expoentes da arte sacra paulista e brasileira, como José Patrício da Silva Manso e padre Jesuíno do Monte Carmelo, permaneceram escondidas sob camadas de tintas em paredes e pranchas de madeira no interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, em Itu, na região de Sorocaba, no interior de São Paulo. Parte dessas relíquias, descobertas durante a mais ampla restauração por que passa igreja, datada de 1780, será agora mostrada ao público.

A exposição Tesouros da Matriz de Itu, comemorativa dos 405 anos da cidade, que será aberta nesta quarta-feira, 25, vai apresentar pela primeira vez essas preciosidades. O destaque será um conjunto de tábuas encontrado em 2014 e que protegia internamente o relógio da fachada da igreja.

Os pesquisadores notaram que, sob tintas recentes, as pranchas continham desenhos mais antigos. A prospecção revelou pinturas com traços característicos do padre Jesuíno. Remontadas, as tábuas formaram uma cena pintada pelo padre em algum momento entre o final do século XVIII e início do século XIX.

Mais descobertas aconteceram quando o restauro chegou à capela mor. As prospecções mostraram a existência de pinturas coloridas em todos os elementos de madeira da igreja, incluindo o forro. Muitas se estendiam às paredes de taipa.

"Sob uma delas há uma assinatura inscrita à tinta, com caligrafia, ortografia e abreviação antigas, de Mathias Teixeira da Silva, e sob outra de 1788", explica o restaurador Júlio Moraes, envolvido no trabalho da matriz. Foram achados ainda esboços de cenas de caça feitos pelo mesmo artista. A sucessão de achados ajuda a esclarecer a história de Itu e da arte colonial paulista, segundo ele.

A autoria das obras é atestada pelo historiador Carlos Gutierrez Cerqueira, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A Igreja de Nossa Senhora da Candelária foi construída na década de 1780, quando Itu era uma das principais cidades da Província de São Paulo, e foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), em 1982. Três anos depois, o Iphan estendeu o tombamento ao acervo interno da igreja, incluindo as pinturas de Almeida Júnior, José Patrício da Silva Manso e padre Jesuíno do Monte Carmelo.

A exposição ficará aberta na Casa da Praça até o dia 2 de agosto. A visitação é de terça a domingo, das 10 às 16 horas, com entrada franca. Na abertura serão lançados os "Cadernos do Patrimônio" de Itu, com detalhes da restauração e dos achados recentes.

Serviço

Tesouros da Matriz de Itu

Casa da Praça - Praça Padre Miguel, 56, Centro, Itu, São Paulo
De 25 de fevereiro a 2 de agosto
De terça a domingo, das 10h às 16h
Entrada gratuita

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