Iara Venanzi/Itaú Cultural
Iara Venanzi/Itaú Cultural

Itaú Cultural acompanha a evolução da gravura em mostra

Exposição, que será aberta hoje, 28, reúne 150 obras, do século 15 até a modernidade

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

28 Novembro 2018 | 06h00

Van Dyck, Rembrandt, Goya, Toulouse-Lautrec, Munch. Pense num grande pintor que foi também um mestre da gravura e certamente vai encontrar uma de suas obras entre as 453 que integram a coleção do Itaú Cultural, que abre nesta quarta, 28, a mostra Imagens Impressas: Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural. Do acervo, 150 gravuras foram selecionadas pelo curador Marcos Moraes e cobrem a história da gravura europeia desde o século 15, acompanhando a evolução da técnica, do alemão Martin Schongauer (1448-1491) ao espanhol Picasso (1881-1973).

Montada em dois andares do Itaú Cultural, a mostra segue esse percurso cronológico, introduzindo o visitante no universo da gravura de forma didática, desde as anônimas xilogravuras do século 15 até a mais recente das técnicas gráficas, a serigrafia, passando pela gravura em metal, a litografia e os processos fotomecânicos. Duas novas aquisições da coleção destacam-se no conjunto: uma gravura de Picasso (Davi e Bethsabée, que retoma uma pintura de Cranach sobre um tema bíblico) e outra do norueguês Edward Munch (Garotas na Ponte, 1918, que retrata a musa do pintor, Aase Nørregaard).

“Ainda estamos estudando a coleção para identificar a autoria de algumas gravuras”, revela o curador, destacando a predominância de Doré e Daumier no acervo. Há, ainda, certas lacunas, que começam a ser corrigidas com novas aquisições, caso da litogravura de Picasso, comprada este ano, e a xilogravura de Munch, adquirida no ano passado. Ao analisar esse acervo, o curador Marcos Moraes imagina que ele foi formado para construir uma possível narrativa da história da gravura ocidental desde o século 15.

A separação por núcleos seguindo a ordem cronológica foi uma opção curatorial que permite explicar ao visitante como a função da gravura foi mudando através dos séculos, servindo para ilustrar livros e jornais no passado e ganhando autonomia nos últimos dois séculos. É o caso da gravura de Toulouse- Lautrec (1864-1901), Última Balada, no limiar da abstração e que, no entanto, replica as figuras que dominavam os cartazes do pintor feitos segundo a técnica litográfica (e com uma economia cromática franciscana).

Se o visitante preferir começar seu percurso pelo primeiro andar, ele logo verá a gravura de Toulouse-Lautrec, anunciando os artistas do século 20 (Picasso e companhia). No mesmo andar, recuando um pouco mais, é possível ver algumas ilustrações engraçadas feitas pelo demolidor Daumier (1808-1879) para o primeiro periódico satírico publicado na França, Le Charivari. Daumier chegou a ser preso por ridicularizar reis em caricaturas e foi pioneiro ao tratar de questões sociais (como a miséria) na conservadora imprensa da época (século 19).

Daumier também foi pintor, mas não teve a projeção de seu contemporâneo Delacroix (1798-1863), que nasceu numa família de posses (seu pai era ministro) e ia todos os dias ao Louvre estudar os renascentistas italianos. Uma das mais belas gravuras da mostra, Le Tasse Moqué Dans la Prison des Fous, foi baseada numa tela sua – e gravada por Leópold Flameng. Por vezes o nome do gravador acaba associado ao autor das gravuras, mas quase sempre é possível identificar a origem da imagem.

Há casos únicos em que se reconhece a autoria de imediato, como o das gravuras do romano Piranesi (1720-1778), famoso por suas obras que elegem a arquitetura como tema (especialmente as ruínas e os cárceres imaginários). Na mostra há também retratos de artistas ingleses (Reynolds) e paisagens francesas (Daubigny, um precursor do impressionismo). Simplesmente uma mostra encantadora.

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