Jerome Facre/EFE
Jerome Facre/EFE

Itália inaugura exposição de artista dissidente chinês Badiucao

'Ameaçam constantemente as pessoas que trabalham comigo, por isso é realmente difícil ter uma exposição em uma galeria estabelecida', explicou autor das obras em exibição

AP, Agência

13 de novembro de 2021 | 12h09

Uma exposição provocante do artista dissidente chinês Badiucao foi inaugurada neste sábado, 13, na cidade industrial de Brescia, no norte da Itália, apesar da pressão da embaixada da China em Roma para que fosse cancelada.

Uma carta da embaixada incluía ameaças econômicas veladas, ao mencionar o comércio entre Itália e China. Este é o pseudônimo que usa o artista cuja obra ataca os antecedentes de direitos humanos e as políticas da China.

O prefeito de Brescia, Emilio Del Bono, "respondeu com delicadeza e firmeza", disse Elettra Stamboulis, curadora da exibição no museu municipal de Santa Giulia.

"Claro que sempre nos sentimos um pouco preocupados, não tanto pela segurança do artista, mas porque sabemos que há formas mais aterrorizantes de silenciar a artistas dissidentes", afirma Stamboulis.

Depois de ter sido impedido de montar uma exposição individual em Hong Kong em 2018 por conta da pressão, Badiucao disse que está "orgulhoso e contente" que a exibição em Brescia esteja finalmente aberta ao público.

"Como minha arte sempre se foca nos problemas de direitos humanos na China, isso me converte praticamente no inimigo número um", conta Badiucao. "Me caçam. Me incomodam, incomodam à minha família, ameaçam constantemente as pessoas que trabalham comigo. Por isso, para mim é realmente muito difícil ter uma exposição em uma galeria estabelecida, em um museu como esse".

A exposição, que ficará aberta até 13 de fevereiro, é uma retrospectiva à carreira artística de Badiucao, desde seu início até obras mais recentes criadas em resposta à crise de saúde provocada pela pandemia de Covid-19. Antes assistente do artista chinês radicado em Berlim, Ai Weiwei, Badiucao atualmente trabalha a partir do seu exílio na Austrália.

A obra abrange desde pinturas em óleo até instalações e arte performance. Inclui uma que representa o escândalo de formula de bebê alterada exportada pela China, outra que relembra o massacre da Praça Tienanmen e outra que represente o Movimento dos Paraguas, como parte das manifestações pró-democracia de Hong Kong reprimidas pela China.

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