Israel Galván, corpo que exala audácia

Espanhol tido como grande nome da dança flamenca na atualidade mostra Solo na Bienal e La Edad de Oro no Sesc

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 00h00

O primeiro passo acontece na teoria: a pesquisa de um conceito que ainda não tenha sido trabalhado, que apresente algo novo, que contenha um tema que o instigue. O segundo é desenhado em ondas imaginárias, que vão sugerindo movimentos mudos. Somente no terceiro passo é que o espetáculo começa a tomar forma. Ele apresenta a seus músicos os caminhos mais inesperados que seu corpo sempre acaba seguindo para que, assim, criem juntos as frases melódicas que vão preencher os espaços restantes do novo espetáculo.Como se vê, o espanhol de Sevilha Israel Galván não tem medo de expor a fórmula que adotou e conquistou os críticos mais severos. Se muitos jamais permitiram qualquer inovação na dança secular, depois de assistirem a Galván sobre um tablado repensam seriamente os conceitos do gênero reconhecido por seu caráter conservador. "Intuitivo", "audaz", "transgressor" e "revolucionário" são apenas alguns dos adjetivos que vem colecionando há pouco mais de dez anos, quando iniciou a sua carreira profissional. Entre os seus admiradores está a coreógrafa alemã Pina Bausch, criadora do festival NRW International Dance Festival, na Alemanha, onde Israel marcou presença na quarta-feira.Mas o espanhol parece estar pouco se lixando com a opinião alheia. Amem seu trabalho ou odeiem, ele está aí para apenas traduzir em dança a sua forma de pensar. "Creio que propiciei uma evolução em meu corpo e desenvolvi uma forma muito pessoal de pensar o flamenco. A crítica se acostumou a estampar selos em qualquer tipo de manifestação artística, mas a idéia é contar o flamenco", afirma Galván. "O que acontece é que, com o passar dos anos, queremos contar outra coisa, mas sobre a mesma base."O bailarino, filho de dois peixes - seus pais, José Galván e Eugenia de los Reyes, foram os responsáveis pela introdução de Israel na dança flamenca -, chega ao País pela primeira vez no auge de sua carreira, trazendo na bagagem dois espetáculos. Solo, que Galván apresenta hoje na 28ª edição da Bienal, trata-se de uma coreografia baseada na improvisação. "É uma peça de baile em que estou sozinho, sem canto, sem violão. Apresento uma diferente forma de sintonia, de movimentação corporal. Uso o meu corpo como instrumento de percussão", adianta.Já em La Edad de Oro, espetáculo criado em 2005 que será apresentado no Sesc Vila Mariana, o espanhol regressa às raízes do flamenco, acrescentando seu estilo contemporâneo, para abordar a época de ouro da dança. "Acompanham-me um violonista e um cantor. É a coreografia em sua forma mais básica, mais essencial e por isso mais difícil. Exige muita verdade."

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