Irônico e dançável, Neon Neon conecta hip-hop e pop art

Gruff Rhys, vocal da dupla e líder do grupo galês Super Furry Animals, fala de seu projeto paralelo com o produtor Boom Bip

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2008 | 00h00

O galês Gruff Rhys já esteve no TIM Festival anteriormente, com sua banda Super Furry Animals. Foi um auê. Agora, ele volta a bordo de um projeto paralelo, o Neon Neon, que tem apenas dois elementos: Rhys e o produtor norte-americano de hip-hop Boom Bip.Em entrevista por telefone, Rhys falou da experiência que foi mixar um disco no Brasil na época do seu show ("Bons tempos, fizemos um trabalho muito bom com o Mario Caldato") e, pelo que contou do disco Stainless Style, seu novo trabalho com o Neon Neon, é um conceito semelhante ao da pop art, apropriando-se de signos da indústria cultural. No ano que vem, ele adianta, sai um novo álbum do Super Furry Animals, cuja idéia lembra a do livro Ulisses, de James Joyce - uma ação que remonta um dia na vida de um personagem.Você é muito bem-sucedido com o Super Furry Animals. Qual a ambição em ter uma banda paralela?Não há ambição alguma. Ou melhor: a ambição é fazer um disco bem maluco sobre a vida, sobre o dia-a-dia de caras como eu e Boom Bip. É algo que eu sonhava fazer há muito tempo. Há três anos eu conheci Boom Bip e começamos a imaginar esse trabalho. Mas a realização foi rápida: mixamos o disco em apenas três semanas.O que vê de mais original nesse trabalho?O que é mais interessante é a transposição de uma vida, de uma biografia, para a música. É um disco que é controverso em alguns momentos, que fala da mitologia das corridas e de aspectos da vida de um famoso industrial de automóveis (John DeLorean, preso por tráfico de drogas e que morreu em 2005, aos 80 anos, falido e clamando inocência). É suave em alguns momentos, em outros é mais denso.Há faixas batizadas com nomes estranhos, como dos astros hollywoodianos Michael Douglas e Rachel Welch. Por que Douglas e Rachel?É parte das nossas obsessões cotidianas, a figura dessas celebridades como Douglas, Welch ou Candice Bergen. Nós procuramos tornar esses ícones parte do tratamento comum da nossa vida, trazê-los do Olimpo para a vida real. As músicas se apropriam de tudo isso: filmes, programas de TV, e fazemos um mix irônico disso tudo com o hip-hop. Não é a representação de uma pessoa, mas de sua imagem, é a imagérie de Hollywood nos servindo de combustível, esse mundo dominado pela cirurgia plástica. Nós vimos esse disco como a oportunidade perfeita para brincar com um certo sarcasmo.Você também prepara um novo disco com o Super Furry Animals, não?Sim. Estamos em processo de pesquisa e gravação de demos e devemos finalizar o novo disco antes do final do ano. Nossos discos sempre são diferentes uns dos outros e esse agora vai ser um dos mais ambiciosos, muito aberto, muito diferente do que normalmente fazemos. Vamos gravar com uma orquestra e não haverá letras, apenas música. Será uma espécie de história contada em 24 horas de música, como se fosse um dia na vida de uma pessoa. É difícil de descrever, mas será algo assim.

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