Iron Maiden, na contramão de toda crise

Banda toca para 60 mil em Interlagos e lança filme sobre os bastidores da turnê

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2009 | 00h00

Talvez a mais respeitável das bandas dinossáuricas de heavy metal em atividade, o grupo inglês Iron Maiden gosta da América do Sul. Gosta tanto que exatamente um ano após tocar por aqui, baixa amanhã de novo em São Paulo para inflamar 60 mil pessoas no Autódromo de Interlagos - e já promete regressar. "Nós voltaremos a tocar no Brasil em 2011 e queremos voltar a Manaus", prometeu o vocalista Bruce Dickinson durante show para 13 mil pessoas no Sambódromo de Manaus, anteontem. As notícias econômicas dão conta de que 14 mil trabalhadores perderam o emprego este mês em Nova York. Pois bem: em Manaus, por conta do primeiro show da decana banda inglesa de heavy metal Iron Maiden no Amazonas, foram gerados 4 mil empregos diretos e indiretos e um faturamento de R$ 2 milhões em apenas dois dias. Será que o heavy metal é a fórmula para sair da crise? Os negócios do grupo não veem recessão pela frente. O Iron Maiden lança mundialmente, no dia 21 de abril, o documentário Flight 666, que registra as andanças da banda num trajeto de 70 mil quilômetros, 5 continentes e durante 23 concertos em apenas 45 dias. O piloto do jato do grupo, o Ed Force One, é o vocalista Bruce Dickinson, habilitado para pilotar Boeings, assim como John Travolta. O documentário de 112 minutos é dirigido por Scot McFadyen e Sam Dunn, da Banger Productions, baseada em Toronto, Canadá, diretores do premiado filme Metal: A headbangers Journey e Global Metal. Filmado em alta definição, o filme vai ser lançado em cinemas digitais com som Surround 5.1. O baixista do grupo, Steve Harris, que fundou a banda em 1976, fez aniversário ontem em Manaus, 52 anos, e os colegas da banda e o público cantaram um estrepitoso Parabéns para Você. A banda chegou a Manaus na tarde de quarta e passeou de barco, foi ao encontro das águas dos rios Negro e Solimões, visitou ribeirinhos e índios e, temerariamente, devorou comidas típicas. Dickinson pirou na selva: depois de rodar o mundo em 33 anos de carreira, ele disse que a experiência na Amazônia foi inigualável e quer repetir a dose. O último rock star desse porte que passou pela capital amazonense foi o maluco do Jack White, em 2005, que fez questão de tocar com sua banda White Stripes no Teatro Amazonas. "Scream for me, São Paulo!", será o indefectível grito de guerra com que Dickinson saudará o público em Interlagos - os músicos são abusados e resolveram fazer show em um lugar que pudesse acolher todo seu público, sem deixar ninguém de fora. Se encherem o local, terão igualado o maior público do ano até agora, o de Madonna no Morumbi. Bruce Dickinson, Steve Harris, Nicko McBrain, Janick Gers, Dave Murray e Adrian Smith são metaleiros, mas não são estúpidos. Têm gostos refinados e são pacifistas, detestam arruaça. No último sábado, em Bogotá, na Colômbia, houve um tumulto entre polícia e fãs no Parque Simon Bolivar, onde a "Donzela de Ferro" tocou para mais de 20 mil pessoas. Cerca de 100 pessoas foram presas e alguns fãs ficaram feridos. "Nós abominamos o comportamento insano de uma pequena minoria de pessoas fora do estádio. Eles prestam um desserviço ao Iron Maiden, ao metal e aos fãs colombianos de verdade", disse Rod Smallwood, manager da banda. "Nossos fãs estão ali pela música. Nós queremos voltar à Colômbia e acreditamos que as autoridades não serão tentadas a banir o Maiden e o metal por causa de uma minoria de encrenqueiros." Serviço Iron Maiden. Autódromo de Interlagos. Avenida Senador Teotônio Vilela, 261, telefone 5666-8822. Domingo (15), às 20 horas. R$ 140

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