Interação e graça em Rita, ópera cômica de Donizetti

Montagem se apóia na qualidade do elenco e na regência de Debora Waldman

O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2024 | 00h00

Dona Rita e seus dois maridos subiram, sexta-feira, ao palco do Festival de Campos do Jordão, levados por três de nossos melhores cantores. Rosana Lamosa, Fernando Portari e Paulo Szot viveram a engraçada ópera em um ato de Gaetano Donizetti, numa viva montagem de Carla Camurati. Embora Rita ou Le Mari Battu fosse originalmente um opéra-comique - donde a presença do diálogo falado entre os números - ela sobreviveu na tradução italiana de 1876; e assim foi encenada em Campos do Jordão.Mais do que qualidades individuais, o que esses três experimentados cantores demonstraram foi a natural interação entre eles, o hábito que têm de contracenar um com o outro. E isso é muito importante numa ópera com poucas árias, mas com vários duetos e trios, em que é necessário mostrar como as personagens reagem às situações em que são colocadas por estranhas circunstâncias: acreditando que Gaspare, seu primeiro marido, morreu em um naufrágio, Rita casou-se de novo com Beppe - a quem trata com os mesmos tabefes que, antes, recebia do falecido.O retorno de Gaspare, que sobreviveu, hoje mora no Canadá e, por sua vez, também quer casar-se de novo, põe em marcha a engrenagem dessa comediazinha, que oferece boas oportunidades a seus intérpretes. Foi o caso da cena culminante, o dueto ''''Per me chi perde vince'''', em que Beppe e Gaspare jogam para decidir com quem Rita ficará. Szot e Portari demonstraram, ali, toda a sua desenvoltura cômica.Outro momento muito engraçado foi a ária de Portari, ''''Allegro io sono'''', na qual Beppe, acreditando poder devolver Rita ao ex-marido, despoja-se do avental, símbolo de sua submissão, e transforma-o nas asas de um pássaro que voa em liberdade. Ao bom desempenho dos três intérpretes, respondeu a segurança da regência de Deborah Waldman, jovem paulista que fez seus estudos em Israel e na Argentina e, hoje, é assistente de Kurt Masur na França. Em suas mãos, a Orquestra Acadêmica obteve muito bom rendimento e o espetáculo fluiu solto, culminando no esfuziante finale ''''Ma tu dei la mia ricetta'''', depois do qual, entre tapas e beijos, Beppe e Rita viverão felizes (?) para sempre.

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