Intensidade e leveza em Exteriores

Artista Frida Baranek abre hoje mostra com suas novas esculturas e gravuras

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

A artista carioca Frida Baranek queria fazer esculturas que ficassem ao ar livre porque acha a natureza perfeita. "O movimento das árvores quando venta sempre me fascinou", diz Frida, que tomou como desafio criar trabalhos em que a escultura não fosse "apenas um objeto". Sendo assim, mesmo que suas mais recentes obras estejam agora dentro do cubo branco, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, as novas obras escultóricas que a artista criou oferecem ao público a possibilidade de ter uma experiência muito mais que contemplativa, até mesmo natural. Na mostra Exteriores, que Frida Baranek inaugura hoje na galeria, logo de início recebem os visitantes duas peças, espécies de plataformas de madeira, apoiadas sobre tubos de metal e molas, que promovem movimento pendular em contato com o corpo do o visitante - subindo nas obras, ficando em pé ou sentado, ele poderá sentir-se tal estivesse sobre a água, num deck."São objetos com uma dimensão indefinida, uma questão que se encontra na natureza, fora de controle", diz a artista, que realizou sua última individual no Gabinete Raquel Arnaud em 2001. Frida Baranek, escultora, gravadora e arquiteta, conhecida por suas obras de emaranhados de fios, usa agora uma "resolução plástica diferente", como diz. Mas nelas se veem a mesma linha da poética da artista, que, como já afirmou a crítica e historiadora Aracy Amaral, se faz na cadência da "intensidade e leveza". Como parte dessa poética ressalta a questão do equilíbrio também, sempre recorrente e que se se traduz numa espacialidade em "insólita confrontação de instigante sensorialidade", ainda nas palavras de texto de Aracy de 1990.Frida Baranek, que estudou escultura com João Carlos Goldberg e Tunga na década de 1980 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Museu de Arte Moderna do Rio, é artista da chamada Geração 80, mas menos identificada com a efervescência, "pictórica", daquele momento. Frida também desde cedo se mudou para o exterior, morando em Paris, Berlim e, atualmente, em Nova York, mas sem deixar de realizar, periodicamente, exposições no Brasil. Agora, na mostra Exteriores, ela exibe apenas trabalhos inéditos, tanto as peças escultóricas, quanto conjunto de gravuras criadas entre 2008 e 2009.A ação escultórica de Frida se dá "da imaginação, concepção, do funcionamento" das esculturas simples, como ela diz. As obras de raiz mínima - uma delas, retangular (de 2x4 metros), outra, quadrada - promovem a experiência de equilíbrio e desequilíbrio, o visitante fica num movimento leve e poético.Nas gravuras há a experimentação livre e manufaturada do fazer: são, claramente, obras gráficas de uma escultora. Elas foram feitas pela técnica collargraf, em que se usa materiais contemporâneos, não o papel liso: no caso dessas obras, telas de aço, lã, pó de ferro e juta. ServiçoFrida Baranek. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. R. Arthur Azevedo, 401, tel. 3083-6322. 10 h/19 h (sáb., 12 h/16 h; fecha dom. e 2.ª). Grátis. Até 19/9. Abertura hoje, 12 h, para convidados

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.