Instrumental a serviço do sentimento

Marcus Tardelli, Maogani e Gabriel Grossi unem técnica e emoção no Sesc

Lucas Nobile, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Neste sábado, o teatro do Sesc Pompeia deve ser palco de mais uma daquelas cenas inusitadas que só a arte é capaz de proporcionar: fãs positivamente embasbacados pela emoção transmitida por uma boa música. O principal responsável por tamanho arrebatamento é Marcus Tardelli. O violonista é o primeiro a se apresentar na comemoração dos dez anos do projeto Prata da Casa, seguido do gaitista Gabriel Grossi e do Quarteto Maogani, ex-grupo de Tardelli.O músico, que lançou seu disco-solo no Sesc Pompeia, deve tocar cerca de dez músicas. No repertório, que ainda não foi definido por inteiro, estarão temas desse primeiro CD de Tardelli - em que gravou a obra do compositor Guinga -, como Mingus Samba, Baião de Lacan, dois pot-pourris de frevos e baiões, e Unha e Carne, faixa que deu título ao disco. Esta última música, aliás, envolve uma história que explica a ligação afetiva e musical entre Guinga e Tardelli. Depois de o compositor ter escutado as gravações, antes de o disco ser finalizado, escreveu Unha e Carne, que acabou sendo registrada no CD de última hora, para denotar a relação estreita e perfeita entre a obra de Guinga e a interpretação de Tardelli. A emoção do compositor foi tamanha que, depois de ouvir o disco, resolveu dar de presente o violão que havia emprestado ao instrumentista para as gravações. "O Guinga é um sujeito muito generoso. Se não for o maior, certamente é um dos maiores compositores que existem. Obviamente não gravei o Unha e Carne só por causa de nossa amizade, gravei por causa da profundidade e da emoção que a obra dele carrega", diz Tardelli, que também vai tocar músicas de seu próximo disco - que deve ser gravado até o fim do ano -, como Valsa de Eurídice, de Vinicius de Moraes, Eponina, de Ernesto Nazareth e Olha Maria, de Tom Jobim , Chico Buarque e Vinicius.Depois do violonista, quem dá continuidade à noite de música instrumental é mais um talento da nova geração, o gaitista brasiliense Gabriel Grossi, que faz parte do quinteto do bandolinista Hamilton de Holanda, e já gravou com nomes como Chico Buarque, Milton Nascimento e Maria Bethânia.No encerramento do espetáculo, o violão volta à cena com o grupo que revelou Marcus Tardelli, e dispensa apresentações, o Quarteto Maogani. Com Paulo Aragão (violão 8 cordas), Carlos Chaves (violão 7 cordas), Marcos Alves (violão 6 cordas) e Maurício Marques (violão requinto), o grupo vai tocar Espalhafatoso (Ernesto Nazareth), Relâmpago (Garoto), Cai Dentro (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), Impressão de Choro (Leandro Braga), Tristorosa (Heitor Villa-Lobos) e Caçador de Borboletas, choro de Radamés Gnattali, praticamente inédito, gravado nos Estados Unidos para o próximo disco do Maogani, que deve ser lançado no ano que vem e teve produção de Sérgio Mendes.

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