Instalação faz poética com as sutilezas do tempo e da vida

Last Minute é composta por relógio gigante em movimento ao som de música

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

O artista argentino Jorge Macchi extrai de signos simples do cotidiano os motes para seus trabalhos, sempre de poética inteligente, nada fechada em conceitualismo. "Minhas obras surgem de imagens e a primeira entrada do espectador para a obra tem de ser visual, às vezes sonora, não o deciframento de uma ideia", diz Macchi, que agora apresenta no espaço octógono da Pinacoteca do Estado a obra Last Minute, feita em parceria com o músico e compositor argentino Edgardo Rudnitzky. Nessa instalação, formada por uma obra única, o signo simples eleito é o do relógio, nesse trabalho, sonoro e agigantado para o formato de 10 m de diâmetro e ainda em constante movimento no espaço do museu.Como já definiu o curador espanhol Gabriel Pérez-Barreiro por ocasião da mostra individual de Macchi na última 6ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, o trabalho do artista "pode ser entendido em termos da diferença entre o modo como compreendemos logicamente o mundo e como nos sentimos a respeito dele". "A passagem de uma situação ordinária para o extraordinário se faz através da contemplação", diz o artista. E é assim que ele e Rudnitzky caracterizam o grande relógio no octógono da Pinacoteca: uma obra contemplativa e meditativa, fluida, como é a questão do tempo.No octógono do museu, Last Minute se faz com uma estrutura de ferro circular; com outra reta, em vermelho - que se refere ao ponteiro do relógio gigante -, e por sensores que transformam em música os ruídos captados apenas no chão, através de duas caixas de som. "Quando vi a planta do espaço, enxerguei-a como o quadrante de um relógio de pulso", conta Macchi. Mas não é apenas a forma, reconhecível, que se faz principal, o som tem papel fundamental no trabalho: durante 60 segundos, ao ritmo do movimento do grande ponteiro, uma música de "variações infinitas", em frequências mais baixas e mais altas, vai se construindo por meio de um programa feito em computador por Rudnitzky, colaborador de Macchi em diversas obras.Muito interessante é perceber no trabalho que, de alguma maneira, ao longo do tempo, a música é fluida, entretanto, parecida ao longo dos minutos. "Parece igual, mas não é", diz Rudnitzky. As variações, como completa, são muito pequenas, "como é a vida". ServiçoJorge Macchi e Edgardo Rudnitzky. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel. 3324-1000. 10 h/18 h (fe-cha na 2.ª). R$ 4 (sáb. grátis). Até 31/5

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