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Adriana Moreira/Estadão
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Inhotim volta a fechar por conta da pandemia

Nova suspensão das visitas ocorre por decreto da prefeitura de Brumadinho, município da Grande Belo Horizonte onde fica o museu

Leonardo Augusto, Especial para o Estadão

07 de janeiro de 2021 | 16h38

BELO HORIZONTE - O Inhotim, um dos maiores museus de arte contemporânea do mundo, voltou a ser fechado nesta quinta-feira, 7, por causa da pandemia da covid-19. A nova suspensão das visitas ocorre por decreto da prefeitura de Brumadinho, município da Grande Belo Horizonte onde fica o museu, que determinou o fechamento do comércio, parques e museus da cidade a partir de hoje.

A decisão vale até dia 17. A nova paralisação do funcionamento do Inhotim acontece exatamente dois meses depois da reabertura do museu, que ficou fechado entre 18 de março e 7 de novembro do ano passado, devido à pandemia. Em nota, a direção do museu afirma que tomou a decisão de suspender a visitação por estar "sempre em consonância com as orientações dos órgãos oficiais de saúde".

Desde 2018, Inhotim enfrenta problemas para manter seu fluxo de visitantes exatamente na época ou períodos próximos das férias escolares, quando há maior circulação de turistas. Em 2018, uma epidemia de febre amarela em Minas Gerais reduziu a frequência de visitantes. No ano seguinte, o museu ficou duas semanas fechado, entre janeiro e fevereiro, depois do rompimento da barragem da Vale no município, tragédia que matou 270 pessoas.

Relatórios da empresa de consultoria Ernest & Young sobre os balanços financeiros de 2017 e 2018 do Inhotim apontavam sérios problemas financeiros no museu, com queda nas vendas de ingressos, patrocínios e doações. A consultoria afirmava haver possibilidade de fechamento do museu. O presidente do conselho de administração do Inhotim, Ricardo Gazel, afirmou ao Estadão em 2019, em reportagem sobre a saúde financeira da instituição, que isso não aconteceria. O relatório financeiro do museu relativo a 2019 não foi publicado até hoje no site do Inhotim.

Questionado sobre o impacto das pandemias e do rompimento da barragem no fluxo de visitantes, o diretor-presidente do Inhotim, Antonio Grazzi, em entrevista feita por e-mail nesta quinta-feira, 7, atenuou o efeito da falta de turistas nas contas da instituição. 

"A venda de ingressos equivale a 20% da receita anual (o percentual mensal é variável porque o Inhotim, assim como as empresas que integram a cadeia turística, tem uma sazonalidade alta em relação à bilheteria)". A entrevista foi feita por e-mail a pedido de Grazzi. O relatório financeiro de Inhotim referente a 2019 ainda não foi publicado no site da instituição.

Volta

O museu vinha funcionando com uma série de restrições depois da reabertura em novembro do ano passado. A visitação acontece apenas aos fins de semana e feriados, e o número diário de visitantes foi limitado a 500. O Inhotim já chegou a receber 350 mil pessoas por ano,o que daria 980 por dia. O maior fluxo, no entanto, é aos fins de semana e períodos de férias. 

Galerias estão fechadas e o número de pessoas ao mesmo tempo para visitar as obras em espaços fechados foi reduzido. Em galerias com acesso para 15 pessoas ao mesmo tempo, fora da pandemia, a autorização agora é para entrada de 4.

O serviço de veículos elétricos, utilizados principalmente por pessoas idosas, foi suspenso em parte das trilhas. No retorno do funcionamento do museu, em novembro, a direção do Inhotim afirmava que a venda de ingressos em determinados dias de novembro e dezembro já havia atingido 50% do volume disponibilizado.

O artigo 11 do decreto da prefeitura, publicado no último dia 5, afirma que "fica suspenso o funcionamento de todos os estabelecimentos com potencial de aglomeração, tais como museus, feiras, congressos, exposições, festas, casas de shows e festas". A prefeitura afirma que tomou a decisão depois de realizar levantamento que acusou, no último dia 30, "a necessidade de promover medidas de contenção à proliferação do vírus, em razão do aumento do número de contaminações por covid-19 nas últimas semanas".

O decreto da prefeitura, e consequentemente a suspensão da visitação no Inhotim, vigora até o dia 17, domingo, mas pelo fato de o museu funcionar apenas aos fins de semana e feriados, os próximos ingressos disponíveis para compra são para entradas a partir de 22 de janeiro, sexta-feira.

Abaixo a íntegra da nota enviada pelo museu

"O Instituto Inhotim, sempre em consonância com as orientações dos órgãos oficiais de saúde, suspende a sua visitação de 7 a 17 de janeiro de 2021, após a determinação de lockdown parcial decretada pelo município de Brumadinho. Novos ingressos já podem ser adquiridos para datas a partir de 22 de janeiro, previsão de reabertura do parque".

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