Jim Kay
Jim Kay

Ilustrador da saga Harry Potter revela truque para conseguir fazer desenhos perfeitos

Em entrevista, Jim Kay explica que modelos tridimensionais de alta fidelidade ajudam a rabiscar os primeiros traços; veja mais curiosidades

Alexandra Alter, The New York Times

26 de novembro de 2019 | 07h00

LONDRES - Para Jim Kay, a parte favorita do desenho é logo antes de fazer o primeiro traço. “O melhor momento é a folha de papel em branco”, disse ele. “Cada linha é uma ligeira degradação desse ideal.” Kay, o artista por trás das edições ilustradas da série Harry Potter, trabalha o dia todo e muitas noites em um estúdio independente, no jardim de sua casa em Sussex, Inglaterra.

Seu desordenado espaço de trabalho tem praticamente todas as ferramentas de artista imagináveis e mais alguns acessórios improváveis: raspadores de metal que os dentistas usam nos consultórios, os quais ele usa para pôr detalhes nos modelos de argila; insetos; um modelo de esqueleto; e uma coleção de folhas, galhos, sementes e penas. Ele se vale desses materiais heterogêneos para construir modelos tridimensionais de elfos, duendes, trolls e dragões alados. Depois, ele os desenha.

“O problema dos livros de fantasia é que essas coisas normalmente não existem, então você precisa criá-las para dar uma sensação de realidade”, contou.

Em outubro, a Scholastic lançou o mais recente volume ilustrado por Kay, Harry Potter e o Cálice de Fogo. Ele nos abriu seu estúdio e explicou seu processo de criação.


NYT - Quais objetos guarda no estúdio como fonte de inspiração?

Jim Kay - As lebres são meus amuletos da sorte e estão em todos os livros que fiz. 


Tem alguns espécimes de insetos, que aparecem muito em suas ilustrações.

Quando era pequeno, costumava guardar insetos debaixo da cama, em potes de sorvete. Isso nunca mudou. Sempre fui atraído pelo mundo natural.


Também coleta folhas, galhos e sementes. Como os usa no seu trabalho?

No momento, estou trabalhando numa ilustração predominantemente verde. No chão, tenho folhas diferentes e bolotas de carvalho. 



Quando desenha criaturas imaginárias como você faz para que elas pareçam tão reais?

Você está tentando convencer as pessoas a comprar um mundo alternativo. Quanto mais você acomodar esse mundo à realidade aparente, melhor. É mais fácil desenhar se você tiver algo à sua frente. Se não existe, eu faço. Quando não tem algo parecido na natureza ou num museu, tento fazer com argila ou plasticina.


Há muito material de arte 3D em seu estúdio, modelos de argila ou tecido. Como usa esses materiais em suas ilustrações?

Sofro bastante com o desenho, então é ótimo ter um objeto na frente. As pessoas que fazem os melhores desenhos são escultores. Dê uma olhada nos desenhos de crânios de elefante e do metrô de Londres do Henry Moore, eles dão uma sensação de peso e gravidade. Parecem sólidos, como se estivessem ocupando espaço, o que é muito difícil.



Como ilustrador dos romances de Harry Potter, tem um desafio único, porque os filmes são populares e as pessoas já têm uma imagem dos personagens na cabeça. Foi difícil desenvolver sua versão dos personagens? 

Foi muito difícil, porque gosto muito dos filmes. A única maneira de fazer isso era começar do zero. Construí a paisagem primeiro, construí tudo fisicamente, com modelos. Depois, construí uma paisagem para Hogwarts. Depois, troquei o elenco do filme, usei pessoas que conheço. Para desenhar Ron, Ginny e Molly, que são os Weasley, usei como inspiração mãe, filha e filho de verdade. Escolho pessoas que conheço que se encaixam nos personagens. Minha sobrinha é uma Hermione perfeita.


Qual personagem é mais difícil de desenhar?

Harry, disparado. É difícil demais. Toda criança é difícil e Harry ainda tem os óculos, que são um pesadelo para qualquer desenhista. Literalmente chutei e esmurrei coisas pelo estúdio, frustrado, tentando desenhar Harry. É muito difícil. Nunca consegui executar da maneira que quero. 

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