Hoje ele sabe como é afortunado, por ter tempo livre

VIVER A VIDA: Mais até do que um livro sobre cinema, ou família, O Clube do Filme, de David Gilmour, é sobre o tempo. Marcel Proust revolucionou a literatura ao escrever uma obra-prima sobre a busca do tempo perdido, concluindo com o tempo reencontrado. Gilmour não é Proust, claro, mas ele passa esse sentimento. Há um trecho do livro que trata justamente da natureza fugidia e irrecuperável do tempo. Na maioria das vezes, no escurinho do cinema, não nos damos conta de que, ao nos projetar nas vidas dos outros, estamos deixando de viver as nossas. É o tema de um grande filme de Jean-Luc Godard, talvez o maior, Viver a Vida, de 1962. Esse sentimento é permanente em O Clube do Livro. O próprio Gilmour concorda. Hoje, ele consegue perceber como foi afortunado - embora não parecesse assim, na época - por não ter emprego, por ter tido tempo livre para o filho e para ele. O tempo que tantas vezes nos falta.

, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

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