História e paixão no Leopardo, obra-prima de Luchino Visconti

Para muita gente, O Leopardo (Telecine Cult, às 7h55) é o ápice da obra de Visconti. Esse tipo de campeonato entre filmes pode ser discutível. O que não tem muito sentido discutir é a grandiosidade dessa adaptação do romance homônimo do siciliano Giuseppe Tomasi di Lampedusa. O que o filme "discute" é o fim de uma era, com uma classe social sendo substituída por outra. No caso, a aristocracia, que entra em declínio e cede espaço à burguesia, dona do dinheiro novo.Burt Lancaster faz o príncipe Salina, envelhecido, que sente o declínio físico e o da sua classe social. Seu sobrinho Tancredi irá casar-se com a filha da burguesia, o que não é de todo desagradável quando se pensa que Angelica é interpretada por Claudia Cardinale no auge da beleza. É de Tancredi a frase famosa, tirada do romance, e que serve para situações políticas variadas: "É preciso mudar muito para que tudo continue na mesma." Esse é o sentido da história: a aliança de classes dominantes para que a estrutura social não se altere. Concede-se lá e cá para que o poder não passe para mãos erradas - processo que não escapava a Visconti, insólita combinação de nobre e marxista. Mistura fina que apenas uma certa Itália (a dos anos 50 e 60) parecia capaz de produzir.

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