Híbridos das pistas

Conheça DJ Yoda, Klaxons e Neon Neon, liquidificadores sonoros a caminho

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2008 | 00h00

Está aberta a temporada de excentricidades musicais. Amanhã tem show do cinemático grupo belga DAAU no Sesc Paulista (detalhe: de graça), e o rock matemático do Foals e as digressões sonoras do Jesus and Mary Chain estão chegando para o festival Planeta Terra, na Villa dos Galpões, no dia 8 de novembro. Mas a grande concentração de híbridos musicais - artistas que transportam a fleuma do hard rock para as pistas, que trituram de funk carioca a hip-hop e ao rock dos anos 1980 - está no TIM Festival, que começa na semana que vem no Parque do Ibirapuera. Apesar da baixa considerável que será a ausência da escrachada banda The Gossip (que cancelou a vinda na semana passada, alegando conflito de agendas), é um cardápio suculento posto sobre a mesa.O Estado traz nesta edição entrevistas com três das mais badaladas atrações alternativas do TIM Festival: o grupo britânico The Klaxons, expoente da cena "new rave" (rótulo que desprezam); o inglês DJ Yoda, eleito pela influente revista Q como um dos "10 DJs que você precisa ver antes de morrer" e incluído como um dos três top DJs do mundo pela revista Hip-Hop Connection; e a dupla Neon Neon, formada pelo galês Gruff Rhys, cabeça da bizarra banda Super Furry Animals, e pelo produtor Boom Bip, um nome forte do mundo do rap. É um universo exótico intimamente interligado, esse mundo da música híbrida que vive de enxertos de gêneros aparentemente díspares. Por exemplo: o novo disco dos Klaxons, o seu segundo álbum, que deverá sair no ano que vem, foi produzido por James Ford, que vem a ser uma das metades do grupo Simian Mobile Disco (cuja música Never be Alone, reinventada, virou We Are Your Friends, hit que fez nascer o grupo francês Justice, grande sucesso do recente Skol Beats). Mas as relações sanguíneas não páram por aí. O Simian Mobile Disco, do produtor dos Klaxons, acaba de concluir uma canção para seu novo álbum com Gruff Rhys, do Neon Neon e Super Furry Animals, e outra com Beth Ditto, do The Gossip.Já para o britânico Duncan Reily, de 31 anos, conhecido mundialmente pelo apelido de DJ Yoda, o Brasil é uma espécie de "Terra Prometida dos Sons Esquisitos": ele confessa que tem baseado boa parte de suas performances nos sets que faz no Reino Unido a partir de velhas canções de músicas brasileiras que pinça na internet. Seu sonho é ir a um baile funk no Rio.Mas há mais do mundo das grandes fusões & infusões chegando ao Brasil. E não é só em São Paulo e Rio de Janeiro: em Minas Gerais, no dia 15 de novembro, haverá o Creamfields 2008, que tem como uma de suas atrações principais a banda-cartum Gorillaz, além de outras excentricidades: Hallucinogen, Laidback Luke, Laurent Garnier, Calvin Harris, Infected Mushroom e Roger Sanchez. Será no Autódromo do Mega Space, em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte.No dia 1º de novembro, o anabolizado festival Häagen-Dazs Mix Music instala-se na Vila dos Ipês, na capital paulista (Avenida Mofarrej, 1.505, Vila Leopoldina). Antes menorzinho, agora está preparado para receber quase 3 mil pessoas e tem como atrações os badalados Uffie & Feadz, The Glimmers e Yukesk e o grupo indie VHS or Beta (em DJ set). Para completar a doideira, o chef Emmanuel Bassoleil fará um remix gastronômico no festival, misturando sorvetes e bebidas ao som da dupla brasileira Database.Junte-se a tudo isso o combo hiperglobalizado do grupo cigano Gogol Bordello (que chega para o TIM a bordo de seu novo show e disco Super Taranta), mistura de Clash com Manu Chao, e o ouvinte terá uma idéia da piração que o espera nesse último trimestre do ano. Os malucos estão chegando. Tá tudo dominado.

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