Museu Art Bikini
Biquíni usado por Helô Pinheiro, nos anos 1960, exposto no Museu Art Bikini, na Alemanha Museu Art Bikini

Helô Pinheiro tem biquínis dos anos 1960 expostos em museu na Alemanha: ‘Me sinto privilegiada’

Peças usadas pela eterna ‘garota de Ipanema’ estão no Museu Art Bikini, primeiro no mundo dedicado à moda praia

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2020 | 08h00

Um clima de Bossa Nova e de um Brasil praiano dos anos 1960 toma conta do Museu Art Bikini, na cidade de Bad Rappenau, no sul da Alemanha. Criado pelo empresário alemão Alexander Ruscheinsky, o local é o primeiro no mundo dedicado à moda praia. O “pouquinho de Brasil iá iá” ocupa uma sala exclusiva, que é a segunda maior do local, com uma área de 2 mil m², só perdendo para a parte alemã da mostra.

A exposição tem mais de 500 peças, entre biquínis e maiôs, desde 1870 até a atualidade. Um deles é o de Helô Pinheiro, a eterna ‘garota de Ipanema’ da canção de Vinícius de Moraes. A modelo considera importante o convite feito por Ruscheinsky. “É a história da evolução de uma moda. É cultura e, para os novos estilistas, uma verdadeira aula. Daí, me senti privilegiada por fazer parte dessa história”, afirma para a reportagem do Estadão.

 

Aos 75 anos de idade e esbanjando beleza, Helô Pinheiro contempla a homenagem. “Nada como poder estar ainda viva e reviver gratos momentos de praia, sol, mar e porque não de museu”, se diverte.

Ela conta que Ruscheinsky teve a ideia de montar um museu com looks moda praia e narrar o desenvolvimento dessas peças. “Quando esteve no Rio, ele me solicitou uma peça da época, que por um acaso eu ainda tinha, e cedi para que pudesse expor. O museu ia ser inaugurado no início do ano mas, pela pandemia do novo coronavírus, teve que deixá-lo fechado até segunda ordem”, ressaltou.

O Museu Art Bikini teve um investimento de mais de R$ 40 milhões e a exposição tem raridades como 12 peças originais de Louis Réard, que inventou o biquíni em Paris, na França, em 1946. Lá também estão duas das mais conhecidas peças de praia do cinema mundial: de Brigitte Bardot no filme E Deus Criou a Mulher, de 1956, e as peças brancas usadas por Ursula Andress, em 007, de 1962, o primeiro da saga.

Além de Helô Pinheiro, o museu alemão traz trajes de banho das brasileiras Magda Cotrofe, que se destacou pelos modelos de biquíni fio dental e asa delta nos anos 1980, da atriz Vera Fischer, da cantora Carmen Miranda e da modelo Rose di Primo. A mostra exibe também vídeos do Rio de Janeiro e de Búzios, na Bahia, para apresentar o estilo de vida praiano do litoral do País.

 

 

A paixão de Alexander Ruscheinsky pelo Brasil ultrapassa a moda. Ele realiza trabalho social no Rio de Janeiro para a promoção da formação profissional e da saúde de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Ele é vice-presidente da IRESO, uma associação fundada na Alemanha que atua como intermediária entre doadores, empresas alemãs e ONGs brasileiras. 

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Famoso biquíni de Ursula Andress em 'Dr. No' pode render até 500 mil dólares em leilão

A atriz, que interpretou Honey Ryder no filme de 1962 e foi a primeira Bond girl, foi mostrada saindo do mar de biquíni

Agências, Reuters

07 de outubro de 2020 | 14h56

Os fãs de James Bond vão ter que esperar até 2021 pelo próximo filme de 007, mas aqueles com bolsos cheios podem, no próximo mês, colocar as mãos em alguns dos itens mais famosos dos filmes anteriores.

 

 

O biquíni cor de marfim usado por Ursula Andress em O Satânico Dr. No - primeiro filme de Bond -  está à venda em Los Angeles por um preço estimado de até 500 mil dólares, disse a casa de leilões Profiles in History nesta quarta-feira.

Andress, que interpretou Honey Ryder no filme de 1962 e foi a primeira Bond girl, foi mostrada saindo do mar de biquíni.

"É considerado o biquíni mais famoso do mundo", disse Brian Chanes, chefe de aquisições da Profiles in History. "É uma das cenas mais memoráveis de toda a franquia Bond", declarou. "Isso ajudou os biquínis a se tornarem mais populares e deu início a todo o fenômeno das Bond girl."

A própria Andress vendeu o biquíni pela primeira vez em um leilão de Londres em 2001.

 

 

Outros itens incluem o pijama de Roger Moore em Com 007 Viva e Deixe Morrer (estimado em 10 mil a 15 mil dólares); a jaqueta cinza usada pelo vilão Ernst Blofeld em 007 - Os Diamantes São Eternos (20 mil a 30 mil dólares); e a capa esmeralda e enfeite para cabeça de Jane Seymour de Com 007 Viva e Deixe Morrer (60 mil a 80 mil dólares).

"As coisas da franquia Bond são relativamente raras, especialmente quanto mais você volta no tempo", disse Chanés.

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Nos 65 anos do biquíni, a evolução da moda praia

Criada em 1946, peça deixou de significar a liberação feminina. Agora, conforto é a palavra

Flávia Tavares e Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

Fazer moda em dois pedaços pequenos de pano. É esse o desafio de marcas que trabalham com moda praia e desenham biquínis que se tornam desejo no Brasil e no mundo. O duas-peças completa 65 anos neste mês e não é mais o símbolo da libertação feminina, mas de uma mulher confortável em sua própria pele, com a ajuda da tecnologia.

Desde que foi criado, em 26 de junho de 1946 pelo estilista Louis Reard, o biquíni já teve formatos caretas e escandalosos. "Hoje, o que importa é conforto. A mulher quer se sentir relaxada, autêntica", conta Benny Rosset, da Cia. Marítima. A marca estreou na Fashion Week em 1998. "Com muita dificuldade", diz, "porque biquíni não era visto como moda, mas algo amador".

A evolução de patamar teve dois grandes propulsores. O primeiro foi a tecnologia de tecidos e estampas, que deixou as peças mais atraentes. "Com a estamparia digital, colocamos milhões de cores num top", explica Rosset. Ontem, ele levou à SPFW uma coleção inspirada nos anos 1970, mas atualizada com pequenos detalhes, como franjas. Caftãs, minivestidos e shortinhos completavam o pós-praia.

O segundo momento da moda praia foram top models como Gisele Bündchen, que serviam como telas curvilíneas e bronzeadas a peças mais bem elaboradas. Assim, o Brasil entrou no mapa-múndi da beachwear. Amir Slama, criador da Rosa Chá, diz que "o mundo olha para o Brasil quando pensa em moda praia". "Sabemos criar biquínis chiques, sem ser exagerados."

Renato Thomaz, diretor de marketing e filho da criadora da Água de Coco, atribui essa capacidade de vestir bem o corpo feminino à miscigenação. "Essa bagunça étnica deixou a figura da brasileira muito interessante para vestir", diz. Ontem, a estilista da Água de Coco, Liana Thomaz, trouxe formas geométricas e cortes inusitados. Combinou rosa e laranja e apostou em estampas, alças de fios de ouro e decotes.

Simbolismo. Para a professora de História da Moda Maria Alice Ximenes, a trajetória do biquíni tem semelhanças à do jeans. "A calça jeans foi criada como roupa de trabalho e, com o tempo, ficou mais sofisticada. Biquíni também não é mais só roupa de banho. É para usar em resorts, cruzeiros, com elegância." Mas a brasileira "comum" ainda não se apropriou desse requinte. "O modelo favorito ainda é o de quatro triângulos: cortininhas no top, lacinhos na parte de baixo."

Sharon Azulay, filha de David Azulay, criador da Blue Man, assumiu a direção criativa da marca em 2010, um ano após a morte do pai. "Meu pai inventou o de lacinho, que ainda é super atual. A novidade fica mesmo por conta das estampas, da tecnologia."

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