Helmet levanta público do SP Noise

Atração de destaque da versão paulista do festival goiano, banda atende a pedidos de fãs, com seu líder esbanjando simpatia

Felipe Lavignatti, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2008 | 00h00

Junte veteranos consagrados, alguns grupos do cenário nacional e adicione alguns novos nomes de destaque. A fórmula foi a regra da primeira edição do SP Noise, o último festival de rock em São Paulo neste ano.O braço paulista do Goiânia Noise aconteceu no Eazy Club (antiga Broadway) na sexta-feira, quando o a psicodelia do Black Mountain foi a grande atração, e sábado, dia reservado para os velhos de estrada do Vaselines e os novatos do Black Lips. A escalação do último dia ainda contava com os americanos do Calumet Hecla, os chilenos do The Ganjas e os brasileiros do Homiepie e Do Amor. A adição do Helmet, confirmada apenas três dias antes, tornou o encerramento do festival programa obrigatório para os paulistanos.Primeiro grande nome a se apresentar no sábado, o Black Lips, com o seu autodenominado flower punk, foi a única entre as três grandes atrações do sábado a tocar no palco menor da casa. Com quase uma hora de atraso - o que ajudou o público que ainda chegava ao local -, o grupo apresentou seu rock simplista e direto, provando que seu lado hippie está mais no discurso e roupas do que no som. Apesar da fama de shows escandalosos, com direito a nudez e escatologia, o Black Lips se comportou em São Paulo. Mal havia terminado a apresentação do Black Lips, Page Hamilton, o homem por trás do Helmet, já se posicionava no lado direito do palco principal. A partir dali o festival seria só dele. Esbanjando simpatia, o líder do grupo atendeu pedidos de músicas, não deixou de fora nenhum clássico dos anos 90 e ainda arranjou um tempo para homenagear de Led Zeppelin a Tom Jobim.Mesmo sendo a atração de última hora, boa parte do público parecia estar ali somente para ver o Helmet, que conseguiu levar o maior número de pessoas para frente do palco. A competente banda de Hamilton deu conta do recado de tocar seu som quebrado e minimalista. Hamilton não escondia sua alegria de voltar a tocar em São Paulo. Em cada pausa, uma piada. Chegou até mesmo a se oferecer para tocar em casamentos. A simpatia recíproca foi coroada no bis, reservado para dois de seus maiores hits, Just Another Victim e Unsung, pedida desde o começo do show pelo público. Pedidos atendidos, missão cumprida, restava ao crooner tempo para confraternização. E foi isso que fez o resto da noite. Enquanto os equipamentos eram desmontados, Hamilton distribuiu abraços e apertos de mão para quem conseguia encontrar.Se o som funcionou de maneira perfeita com o Helmet, mesma sorte não tiveram os escoceses do Vaselines, até então a grande atração da noite. Com um público bem menor, a banda querida de Kurt Cobain demorou a se acertar com a aparelhagem - Eugene Kelly chegou a tomar um choque com o microfone ainda na passagem de som.Com os problemas razoavelmente resolvidos - durante o show, os músicos não cansavam de mandar recado para a mesa de som -, o grupo tocou sua mistura melódica de folk e punk. Destaque para a guitarrista Frances McKee, substituta de Hamilton na missão de entreter os fãs saudosistas, que estavam ali para ouvir músicas como Molly?s Lips e Jesus Wants me for a Sunbeam, ambas gravadas pelo Nirvana. Antes do bis, as luzes foram acesas, quase expulsando banda e público do local. Ainda deu tempo para mais uma música. Enquanto isso, na platéia, Page Hamilton continuava sua missão de abraçar e tirar fotos com quem encontrasse.

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