Paulo Liebert/MILENAR IMAGEM
Paulo Liebert/MILENAR IMAGEM

Guia prático para a Virada Cultural em dez palcos e horários possíveis

Antes de se angustiar com a quantidade de atrações concentradas em 24 horas, tente criar seu roteiro seguindo critérios; aqui, sugerimos um deles

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 07h00

Há uma angústia nas 24 horas de Virada que abate viradeiros ávidos por tudo ao mesmo tempo e já. Quem tem sede por shows, filmes, exposições, teatro e todas as intervenções que festivais como a Virada Cultural oferecem historicamente em suas programações pode sentir dúvidas. Para onde ir? Ficar no Anhangabaú é o melhor a ser fazer no momento em que uma outra atração imperdível se apresenta no palco da Avenida São João? E a Avenida Paulista, aberta pela primeira vez em uma Virada? E os Sescs, cheios de ideias exclusivas? E as instigantes sessões de cinema madrugada adentro que jamais aconteceriam em outros dias? Assim, pensamos aqui em algumas sugestões, uma curadoria com dez atrações que podem valer a Virada de 2019 partindo de uma premissa que não é uma verdade absoluta, mas uma forma de pacificar nossas almas pensando em critérios: evite investir naquilo que você pode ver a qualquer outro momento em cartaz na cidade. A Virada vale por instantes que só existem naquelas horas em uma São Paulo que, por dois dias do ano, respira cultura.

1. Quentin Tarantino no CCSP (Rua Vergueiro, 1000)

Faz assim: em vez de cai na muvuca logo de cara, ganhe energia antes na sala de cinema do CCSP. Serão sete filmes, entre 15h de sábado e 19h de domingo. A dica é pegar a primeira (15h de sábado) ou a segunda sessão (17h) antes de tomar o metrô Vergueiro e seguir para o centro ou outro canto da cidade. O bom é que todos os filmes têm a assinatura de Quentin Tarantino, o que garante a qualidade de qualquer um deles. Aqui vai a lista toda:

Sáb 15h – 17h29 Pulp Fiction 

Sáb 17h – 18h50 À Prova da Morte 

Sáb 23h – 01h30 Jackie Brown 

Dom 2h – 06h Kill Bill Vingança Completa 

Dom 11h – 13h33 Bastardos Inglórios 

Dom 14h – 16h44 Django Livre 

Dom 19h – 21h48 Os Oitos Odiados 

2. Teresa Cristina cantando Dona Ivone Lara

Sábado, das 18h às 19h30

Palco da Avenida São João (em frente ao Bar Brahma)

Teresa tem aqueles timbres de voz que te sequestram de longe e o carisma das grandes sambistas. Aqui, ela chega com um timaço de partideiros para fazer o repertório quente, malicioso e arrebatador de Dona Ivone Lara. Samba bom pra se curtir antes que a noite pegue fogo em um palco que ainda deve estar tranquilo neste horário. Vale muito

3. Festa da casa Pratododia na Rua 24 de Maio

Por volta das 20h

A alguns passos da São Paulo, uma festa com repertório de DJs cheios de brasilidades começa a rolar desde as 18h e vai até a meia noite. Ou seja, só passar e ficar por ali um pouco antes de seguir para outros endereços. Dançar em uma das ruas do centrão velhos é uma experiência rara. Outras das ruas paralelas estarão sediando festas tão boas quanto, mas essa é indicada pela categoria dos DJs que se apresentam na casa da Barra Funda.

4. Caetano e Filhos em Ofertório

Sábado, das 21h às 22h30

Palco do Vale do Anhangabaú

Ok, não é uma exclusividade da Virada, mas ver Caetano e filhos é sempre caro nas casas em que eles se apresentam por São Paulo. Então, nada mais democrático do que se juntar à multidão que já deve estar concentrada nesse horário. É emocionante ver Caetano Veloso com os três filhos cantando lado a lado, cheios de sorrisos cúmplices e canções introspectivas. Só não espere um show de Caetano Veloso com seus greatest hits porque não é. Devem fazer algo até mais popular do que seus shows de turnê, por estarem em praça pública, mas nada pra se dançar loucamente. De qualquer forma, uma ótima oportunidade.

5. Hamilton de Holanda e o Baile do Almeidinha

Sábado, 23h30 às 24h30

Sesc Pinheiros

Então, você já viu o que rola no centro, já sentiu o clima. A partir da meia noite tudo vai esquentar mais, a multidão vai chegar e o nível alcoólico subir. Se quiser poupar as energias e evitar a fadiga dos viradeiros mais radicais, siga para o Sesc Pinheiros, na Rua Paes Leme, 195. Ali, o bandolinista Hamilton de Holanda sedia o que explodiu de público no Circo Voador do Rio tamanho seu sucesso. Um baile cheio de temas que valem tanto para dançar quanto para apreciar, tudo no aconchego da praça do Sesc Pinheiros. 

6. Sean Kuti & Egypt 80 com participação de IZA

Domingo, 3h às 4h30 

Vale do Anhangabaú

São 1h da manhã de domingo, hora de abastecer e seguir adiante. Os fortes podem voltar ao centro, no mesmo Anhangabaú de Caetano, por uma justa causa. Seun Kuti e o grupo Egypt 80 seguem com fidelidade religiosa os alicerces erguidos pelo pai de Seun, Fela Kuti, quando ele mostrou ao mundo a voz da Nigéria nos anos 1970. Um show do mais puro afrobeat para se dançar o tempo todo e conhecer a sensualidade do competente Seun Kuti e do grupo que acompanhou seu pai, morto em 1997. A cantora IZA, escolada nos sons de Beyoncé, joga a gasolina na fogueira.

7. Pausa

Sim, descanso, é sério. E a dica é hospedar-se em um dos vários hotéis do centro, há muitos dignos nas avenidas São João e Ipiranga, ao preço de R$ 140 a diária. Faz parte da experiência imersiva, vai. Durma por três horas, aproveite o café da manhã, leve alguns pães e iorgutes na mochila e volte para a rua porque a aventura ainda não acabou.

8. Joyce na Rua Barão de Limeira

Domingo, das 9h às 10h

A Rua Barão de Limeira tem um palco com uma programação em que artistas vão fazer o repertório de seus discos importantes. A cantora e compositora Joyce vai fazer as músicas de Feminina, um de seus trabalhos mais importantes, de 1980. Um ótimo show para se começar um dia.

9. Cine Olido

Domingo, das 12h às 14h

Galeria Olido

Caminhe em ritmo lento pelas ruas que levam ao Largo do Paissandú, passe pelos shows dos pequenos palcos da Avenida Ipiranga e chegue à Galeria Olido. Ao chegar à bilheteria por volta das 11h, garanta o ingresso (gratuito) para a sessão de um filme que pode valer seu domingo e não fará você dormir mesmo depois de tanta maratona. Mr. Dynamite – The Rise of James Brown e um documentário que faz jus ao grau de ebulição da vida de James Brown, o criador do funk, um dos principais homens da música pop em dois séculos. 

10. Palco Arouche com É o Tchan

Domingo, às 15h30

Largo do Arouche

Sim, é muito divertido. E se a ideia é aproveitar até o fim, uma boa pedida é ver Beto Jamaica e Cumpadre Washington recebendo Reinaldo e Ninha para um show de clássicos do grupo dos anos 1990. Ainda será devidamente valorizado o trabalho de um grupo que, brincando, colocou em todas as frentes de mídia da época o samba duro do Recôncavo Baiano. Ninguém fez isso antes nem faria depois. Pra limpar a alma

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