Guarulhos reúne galera instrumental

Além da mostra competitiva, programação tem shows de músicos como Guinga, Egberto Gismonti e Altamiro Carrilho

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

Com show do violonista e compositor Guinga, abre-se hoje no Teatro Adamastor, o 3º Festival Instrumental Guarulhos. As outras atrações são Egberto Gismonti (amanhã), Arismar do Espírito Santo & Grupo (sexta) e Altamiro Carrilho acompanhado de Isaías e Seus Chorões (sábado). Músicos de renome não estão só na programação de shows de encerramento, mas na mostra competitiva. O violonista gaúcho Yamandu Costa, que já foi atração de outra edição e participou das rodas que se formam depois dos shows, agora é concorrente de outras feras, como Zé Barbeiro, Dino Barioni, José Paulo Becker e Alex Buck, vencedor de 2007.Há representantes de diversos estilos (choro, música caipira, samba, bossa) e regiões do País, como o carioca Alfredo Del-Penho, o capixaba Filipe Dias, o paraense Jacinto Kahwage, o gaúcho Paulo Cardoso, o paranaense Daniel Migliavacca, o mineiro Marcos Frederico, além de vários outros inscritos por São Paulo e Guarulhos - como Índio Cachoeira Edson Sant?Anna e Marcos Paiva.Além das apresentações no palco do teatro, o festival oferece oficinas com Heraldo do Monte (amanhã), Arismar (sexta) e Paulo Aragão (sábado), que vai fazer um panorama do arranjo popular brasileiro. A oficina de Arismar é um ensaio aberto show que fará à noite (mais informações no site www.guarulhosinstrumental.com.br).A adesão de tantos nomes de peso avaliza a credibilidade que o festival ganhou em apenas duas edições. Na segunda, Arismar foi jurado da mostra competitiva e confirma a qualidade dos concorrentes e, principalmente, a importância de mostrar o talento desses músicos como compositores. "Senti que houve uma evolução. Quando você fala em música instrumental, as pessoas ainda se assustam. Vão achar que o cara vai ficar lá improvisando uma hora, viajandão. No festival, ele mostra que sabe tocar e tal, mas a ideia principal é mostrar que ele sabe compor, harmonizar", diz o instrumentista.Arismar lembra que nos últimos dez anos triplicou o número de cursos de música no Brasil. Ele próprio é um dos músicos que ensinam jovens alunos. "Eles acabam perdendo a vergonha de não querer mostrar muita técnica. Essa moçada nova estuda 20 horas por dia. Você vê que eles chegam preparados para apresentar seus trabalhos no festival."Ele lembra que no passado um grupo da Casa do Itiberê entrou no palco e impressionou o público. "Tocaram que nem loucos, sem partitura, foi lindo." Outro bom exemplo, que Arismar lembra, é o do baterista e pianista Alex Buck. "Hoje ele está escrevendo diferente, está mais para o tema do que para a técnica. A gente conversa muito. Uma das coisas mais sadias desse festival é o encontro dos músicos, todo mundo mostrando música nova. É um encontro muito sério de música."É comum, como lembra Arismar, presenciar conversas de novatos com veteranos, como o violonista Zé Barbeiro. "Vinte anos atrás, um moleque jamais teria coragem de mostrar um choro pra ele, jamais tocaria, jamais trocaria música com Zé Barbeiro. Você nota que o cara em formação está estudando, buscando, indo para algum lugar. É bonito de ver."Em 2008, os jovens eram maioria entre as 170 inscrições de músicas inéditas. Foram oito os premiados nas categorias de compositor (do primeiro ao terceiro lugar), instrumentista e arranjo, além do vencedor pela aclamação popular.C

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.