Grupo une cinema e literatura para levar poe ao teatro

NO PALCO: A união da literatura com o cinema - é o que propõe a Cia. O Grito, grupo teatral que prepara a montagem de Poe, Edgar, peça que estreia em maio, no Centro Cultural São Paulo. O ponto de partida são três trabalhos do escritor (O Corvo, O Gato Preto e Os Assassinatos na Rua Morgue), que foram adaptados para o cinema, todos protagonizados por Bela Lugosi.A proposta do grupo, formado pelo diretor Roberto Morettho e os atores Alessandro Hernandez e Léia Rapozo, é traçar paralelos entre a conturbada vida do escritor e sua obra literária, utilizando a estética dos filmes de terror estrelados por Lugosi - a intenção é projetar algumas imagens dos longas durante a encenação. "Cada elemento do espetáculo se completa e se contradiz, ampliando as possibilidades de comunicação e de experiência sensível do espectador, dentro da linearidade das histórias apresentadas", afirma o grupo, em seu projeto de trabalho.Uma pequena leitura encenada de O Gato Preto, ocorrida no auditório do Masp no ano passado, serviu como teste para a encenação, que poderá ocorrer também no Sesc 24 de Maio.A relação da obra de Edgar Allan Poe com o teatro sempre foi enriquecedora. Em 1997, a Companhia dos Atores, do ator e diretor Enrique Diaz, apresentou O Enfermeiro, adaptação do conto O Coração Denunciador.Outra companhia, a carioca Studio Stanislavski, trouxe a São Paulo, em 2001, peças de seu repertório. Entre elas, William Wilson, baseada no conto homônimo de Poe, cujo tema é o embate de um homem com seu duplo.E o conto O Engenho da Loucura inspirou a Cia. Atelier de Manufactura Suspeita a montar um espetáculo, que entrou em cartaz em 2005, em São Paulo. Todos enfrentaram a dificuldade em trabalhar o terror na linguagem do teatro.

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