Leo Eloy/Fundação Bienal de São Paulo
Leo Eloy/Fundação Bienal de São Paulo

Grupo protesta contra Temer na Bienal de São Paulo

‘Incerteza Viva’, edição da mostra, apresenta mais de 300 obras e vai até 11 de dezembro

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2016 | 21h02

Os visitantes do Ibirapuera encontrarão, até dezembro, algumas pinturas geométricas espalhadas pelo parque. Os painéis coloridos são, na verdade, placas criadas pelo artista e poeta carioca Wlademir Dias-Pino, um dos 81 participantes da 32.ª Bienal de São Paulo, que é inaugurada nesta quarta-feira, feriado de 7 de setembro, para o público. Na inauguração ontem, 6, para convidados, foi realizado um novo protesto contra o governo Temer e a favor de novas eleições para presidente.

Veja o vídeo: 

A exposição, sob o título Incerteza Viva, ocorre não apenas no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o Pavilhão da Bienal, onde abriga mais de 300 trabalhos de criadores de 33 países, como também se estende para as cercanias do edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Arrogation, por exemplo, a pista de skate branca criada pela sul-coreana Koo Jeong A, promete ser uma atração de destaque do evento - e poderá ser usada por skatistas até o fim da mostra, em 11 de dezembro.

Desde o início da concepção do projeto da 32.ª Bienal, a ideia de jardim tornou-se “metáfora e metodologia”, como afirma o curador-geral, Jochen Volz, para o desenvolvimento da edição. Sendo assim, a relação da exposição com o Ibirapuera é um ponto importante da edição e o próprio conjunto de esculturas feitas com restos de árvores pelo artista Frans Krajcberg, instalado já na entrada do pavilhão, transforma-se, ao remeter a uma espécie de floresta, em elo simbólico com o parque.

“Ecologias são muitas”, afirmou uma das cocuradoras da 32.ª Bienal, Júlia Rebouças, na última coletiva de imprensa que apresentou, na última segunda-feira, 5, a exposição para jornalistas brasileiros e estrangeiros. As peças de Krajcberg, que cria seus trabalhos com madeira queimada, é também o seu “grito pela saúde do planeta”. Mas, assim como ecologias são muitas, várias são as questões presentes na edição do evento, entre elas, a militância política, a noção de história e a criação de narrativas, os questionamentos sobre a extinção do mundo e das espécies, a imigração, a violência, e a necessidade de novos conhecimentos e processos de cura.

“A Bienal não é mais a principal janela para o mundo, é uma plataforma articuladora de pensamento crítico”, disse Jochen Volz que convidou Júlia Rebouças e ainda a sul-africana Gabi Ngcobo, a mexicana Sofía Olascoaga e o dinamarquês Lars Bang Larsen como cocuradores da mostra. Até mesmo o restaurante que funcionará durante o evento é uma obra - Restauro, de Jorge Menna Barreto, propõe aos visitantes uma nova alimentação com produtos orgânicos. Ao mesmo tempo, além de descobrir os trabalhos dos artistas participantes - 70% deles criados para a mostra, a Bienal promoverá intensa programação pública hoje e até o seu encerramento.

Programação do feriado

14 horas: O grupo Opavivará! realiza Transnômades (2016), uma ação com o público. O coletivo criou um conjunto de carrinhos para a interação com os visitantes. Além de circular pelo Pavilhão da Bienal, os transportes serão levados a partir de outubro para outros locais da cidade 

14 horas: O norte-americano William Pope L. criou uma performance a ser representada por pares usando trajes de festa. O artista contratou pessoas para caminhar e dançar por um circuito determinado por ele por bairros de São Paulo com o intuito de tratar das diferenças econômicas e sociais da cidade. Baile (2016) terá duração de quatro dias e começará no Vale do Anhangabaú

15 horas: Será encenada no terceiro piso do Pavilhão da Bienal a peça de teatro Coração do Espantalho (2015-2016), de Naufus Ramírez-Figueiroa. Com duração de 20 minutos, a tragicomédia será apresentada todos os sábados no mesmo horário 

17 horas: A oca construída pelo artista Bené Fonteles no térreo da Bienal inicia o programa “Conversas para adiar o fim do mundo”

18h15: A artista Donna Kukama realiza performance no Cemitério da Consolação 

32ª BIENAL DE SÃO PAULO –INCERTEZA VIVA

Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Pq. do Ibirapuera, portão 3; 5576-7600. 3ª, 4ª, 6ª e dom., 9h/19h; 5ª e sáb., 9h/22h. Até 11/12. Abertura hoje (7), 9h

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