Grilo Feliz substitui ecologia por tema social contra pirataria

Walbercy Ribas completa meio século de luta, animando o cinema brasileiro

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

Eles podem ser poucos, os animadores brasileiros, mas estão ganhando o mundo. Carlos Saldanha desenvolve a série A Era do Gelo nos EUA, Renato dos Anjos é responsável pela animação do protagonista de Bolt - Supercão. Triunfar lá fora não representa pouca coisa, com toda a estrutura - e dinheiro - que os norte-americanos põem em suas animações. Difícil é ser guerreiro como Walbercy Ribas, que em 2009 completa 50 anos como animador no País.Em 2001, depois de 17 anos de trabalho, ele conseguiu lançar O Grilo Feliz e o personagem cativou o público infantil - no Brasil e no exterior. Sem grandes aparatos de distribuição, O Grilo conseguiu levar sua mensagem ecológica para 270 mil espectadores brasileiros e foi vendido para países como EUA, México, Rússia e China. Em 15 de dezembro passado, O Grilo estreou na rede norte-americana de animação Star Z. Ontem, por coincidência, teve nova exibição no canal.O segundo filme da franquia chama-se agora Grilo Feliz e os Insetos Gigantes. Distribuído e coproduzido pela Fox, que investiu (por meio do artigo 3º) R$ 2 milhões do orçamento total de R$ 4,6 milhões, o grilo chega a 119 salas de todo o País e conta com uma estrutura de divulgação de que não dispunha antes. Mesmo assim, não será fácil competir com Madagascar 2 e, principalmente, Bolt. Há mais risco no segundo filme, embora ele tenha tido mais apoio, o que permitiu ao diretor conclui-lo em três anos . "Nossa mensagem não é mais ecológica, como no primeiro. Lá era uma coisa mais universal. A preocupação agora é social, com base nas próprias condições brasileiras. Não sei qual será a reação, nem aqui nem no exterior."Uma crítica que Walbercy já havia recebido no primeiro filme referia-se justamente à história, muito infantil. O grilo azulado atrai mais as crianças, é um fato. A dúvida: "Se a gente conseguir criar uma história que apanhe mais os adultos, as crianças vão desistir?", pergunta-se o diretor. Uma coisa é certa - Walbercy e o filho, Rafael Ribas, com quem ele compartilha a direção (e várias outras funções), empenharam-se em fazer uma animação de alta qualidade gráfica e técnica. Mesmo assim ele ressalta: "Nosso filme é resultado do trabalho heroico de 30 pessoas. As animações da Disney, da Pixar e da DreamWorks empregam 300 e custam mais de US$ 100 milhões. É tudo muito desigual."Desigual, sim, mas o momento pode ser favorável para o reconhecimento de uma animação brasileira. O público que está fazendo Se Eu Fosse Você 2 bombar na bilheteria pode resolver conferir também a nova saga do grilo, por que não? Na trama, o herói enfrenta vilã que domina o mercado da pirataria. Walbercy criou seu personagem para estimular as crianças a pensar, não para consumir não importa o quê. A expectativa do diretor é aumentar o público, mas sem fazer concessões que o desestimulem de seguir questionando o mundo ao redor.

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