Casa França-Brasil
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Governador do Rio proíbe performance artística sobre a ditadura

Wilson Witzel afirmou que o Estado deve ser avisado previamente sobre eventos realizados em espaços públicos

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2019 | 18h50

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse hoje que o governo do Estado precisa ser avisado previamente sobre o conteúdo de exposições realizadas em espaços públicos. Ontem, a Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa determinou a encerramento antecipado da exposição Literatura Exposta, na Casa França-Brasil. O motivo, de acordo com o governador, foi uma performance “com nudismo” que não estava prevista no contrato.

“Eu preciso, o Estado precisa, ser informado previamente o que vai ser realizado dentro de um órgão público”, disse. “Não importa qual seria o tema daquela performance humana, mas no contrato não havia a previsão da performance.  Por isso, o secretário me comunicou que a decisão dele seria não permitir”, completou.

Para o governador, a decisão não pode ser confundida com censura porque a exposição, que seria encerrada amanhã, acontecia desde dezembro no espaço, que é administrado pelo estado, mas não havia previsão da performance. Em dezembro, a obra A Voz do Ralo é a Voz de Deus, do coletivo És uma Maluca, já havia sido, em parte, vetada. Áudios com discursos do presidente Jair Bolsonaro que faziam parte da instalação foram proibidos e substituídos por gravações com receitas de bolo. A performance que seria exibida hoje foi proposta pelo mesmo coletivo.

“A questão não é a performance, não é o coletivo, não se trata de censura.  O contrato foi descuprido e, uma vez descumprido, não pode ser executado”, declarou Witzel.

Na avaliação do governador, a performance que faria referência à tortura na ditadura militar, deveria ser avaliada pela Vara de Infância e da Juventude. Segundo ele, foi o secretário Ruan Lira quem o comunicou “de que haveria uma exposição, com nudismo, com mulheres” e que a decisão seria “não permitir”. “Nós temos responsabilidade com os pais que frequentam ali. As pessoas precisam ser avisadas do que vai acontecer”, disse

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