Gil faz carnaval com banda larga em Nova York

Espetáculo da turnê que promove seu novo CD no exterior põe o público para dançar em teatro da Times Square

Tonica Chagas, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

Começou pela infovia e terminou em forró a passagem por Nova York, na noite de terça-feira, do novo show com que Gilberto Gil está fazendo turnê no exterior e que ele vai mostrar no Brasil a partir de agosto. Produzido para promover Banda Larga Cordel, primeiro disco autoral que ele lança depois de Quanta, de 1997, o show traz para o palco o Gil que defende a ''demografização'' digital com samba, reggae, rock, xote e baião.Em março do ano passado, aproveitando suas férias de ministro da Cultura para divulgar o disco Gil Luminoso, ele havia passado pela cidade com um show intimista no Carnegie Hall, só na base do banquinho e violão. Desta vez, ele ocupou o Nokia Theater com os seis músicos da Broadband Band e um volume de som equivalente a carnaval baiano.Para um público de mais de 2 mil pessoas - e quase o mesmo número de câmeras digitais e telefones celulares para registrar o espetáculo -, ele apresentou 5 das 16 músicas do novo disco. A aproximação da tecnologia de informação com a cultura tradicional brasileira, equação que marca Banda Larga Cordel, é coisa que Gil mistura há algum tempo. Já na abertura (anunciada pelo toque característico dos telefones Nokia, usado como sinal sonoro do teatro), ele mostrou com quantos gygabites se faz uma jangada em Pela Internet, seu samba de 1996. Para completar a introdução veio outro samba cibernético, o que deu nome ao novo disco. Banda Larga Cordel foi lançado digitalmente antes da versão em CD chegar ao mercado, na semana passada.Dele Gil mostrou também sua interpretação de Formosa, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, dançou com o engraçado Não Grude, Não e vociferou contra ''o bobs no cabelo da perua'' na marcação pesada de O Oco do Mundo. Como a maioria da platéia era formada por brasileiros - que reclamavam quando ele fazia comentários em inglês -, pediu ajuda dos conterrâneos para traduzir para o resto do público a sutileza na filosofia simples de Não Tenho Medo da Morte.Misturando a língua pátria com a do Tio Sam, Gil deu um retrato cantado da ''big family'' do samba. Na controvérsia sobre onde nasceu o gênero musical brasileiro, puxou a origem para a Bahia, sua terra natal. ''A formação dos índios cariris em torno dos portugueses quando eles chegaram lá era uma roda de samba'', explicou. E a partir de Andar com Fé, a noite virou baile com samba de breque, xotes e baiões, de Chiclete com Banana a Mulher de Coronel. Ao ganhar de um fã um colar de contas azuis e brancas, as cores do Afoxé Filhos de Ghandi com o qual ele sai no carnaval baiano, Gil agradeceu em nagô e cantarolou um trecho da música do grupo.Assim como tem na sua banda músicos que o acompanham há anos, ao lado de outros na mesma faixa etária de seus filhos (Arthur Maia no baixo, Alex Fonseca na bateria, Claudio Andrade nos teclados, Gustavo de Dalva na percussão, Sérgio Chiavazzolli e Bem Gil nas guitarras), com mais de quatro décadas de carreira, Gilberto Gil - que faz 66 anos exatamente hoje - chegou ao ponto de ter na platéia tanto casais cinqüentenários como os netos deles. Na parte final do show, o coro de grisalhos e adolescentes o acompanhou numa seleção de reggaes, a maioria do disco Kaya N''Gan Daya ao Vivo, de 2003, com que ele homenageou Bob Marley.Palco e Extra 2 (O Rock do Segurança) fecharam as duas horas regulamentares do show, mas o bis esticou a festa por mais 22 minutos. Com Vamos Fugir, Esperando na Janela e Toda Menina Baiana, o teatro em plena Times Square lembrava a Praça Castro Alves, em Salvador. Como se estivesse atrás de um trio elétrico, o público foi com tudo no cordel da banda larga de Gil.

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