Garoto etíope de Mihaileanu toma o trem da vida para Israel

Radu Mihaileanu tornou-se um autor conhecido no Brasil graças à Mostra de São Paulo. Mas houve também uma polêmica, segundo a qual Roberto Benigni, convidado pelo diretor para interpretar O Trem da Vida, teria se apropriado da idéia para fazer A Vida É Bela. Mihaileanu não é diretor de pequenos temas. Ele busca sempre os maiores. Um Herói do Nosso Tempo, às 17h55 no Telecine Cult, é típico da ambição do cineasta romeno. O filme refaz a saga de Schlomo, garoto cristão vítima da perseguição do governo pró-soviético da Etiópia, nos anos 80. Como milhares de outros, ele foge com a família para o Sudão. Dos 8 mil que fizeram esse percurso, menos da metade chegou aos campos de refugiados no país vizinho. Temendo pela segurança do filho, a mãe de Schlomo o batiza com um nome hebraico e o obriga a deixá-la, fingindo ser judeu etíope. Dessa maneira, ele vai parar em Israel - e é justamente de diferenças culturais e do permanente risco de seu herói (um falasha) ser descoberto de que fala Mihaileanu. Desta vez, ele é que pode ser acusado de se apropriar de uma idéia alheia, é verdade que invertendo-a. Em Filhos da Guerra, a polonesa Agnieszka Hollanda já mostrou garoto judeu que se passa por ariano para sobreviver, durante a 2ª Guerra.

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