Divulgação/Parte
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Galeristas de todo o País se reúnem em feira de arte contemporânea

Realizada em São Paulo, a Parte chega à sua 10ª edição

Pedro Rocha, Especial para o Estado

06 Novembro 2018 | 10h27

Galeristas de arte de todo o País se reúnem em São Paulo a partir desta quarta-feira, 7, para a 10ª edição da feira Parte, pensada para apresentar trabalhos de jovens nomes contemporâneos. São 45 galerias e coletivos de arte, que levam à feira mais de 400 artistas nacionais e internacionais.

Das 45, 18 galerias são de fora do eixo Rio-São Paulo, de cidades como Curitiba, Belo Horizonte e Salvador. Há, ainda, uma galeria argentina, a Buenos Aires Fine Arts. De acordo com as criadoras e diretoras da feira, Tamara Perlman e Carmen Schivartche, a ideia é descentralizar. “Um dos objetivos é de não ficarmos presos no circuito Rio-São Paulo”, diz Tâmara.

Para galerias como a SOMA, de Curitiba, o encontro de escritórios de arte de todo o País é uma grande oportunidade. “A visibilidade que uma feira como essa dá é incrível”, afirma Malu Meyer, co-diretora da SOMA, que participa da Parte pela primeira vez. Para ela, mais que vendas, o mais importante da feira é a exposição. “Não sei se vou vender muito, mas a visibilidade é o que vale.”

Se a feira traz galerias de vários lugares do País, consequentemente leva também artistas de diversos lugares, inclusive do exterior. A SOMA vai, por exemplo, levar obras de Gidi Gilam, artista israelense radicado em Berlim. Apesar da proposta de levar nomes mais jovens, as galerias aproveitam também para apostar em nomes não tão conhecidos no circuito nacional, como é o caso de Gigi, que já teve algumas exposições em Israel e na Europa, mas ainda é pouco conhecido no Brasil.

"Estou feliz em participar", diz o artista. "Muitas pessoas não conhecem meu trabalho e sei que a feira tem uma variedade enorme, acho que vai ser interessante para as pessoas verem também um artista internacional." Gidi acredita que, mesmo já tendo participado de outras exposições pelo mundo, é sempre bom mostrar mais e para mais pessoas.

Artistas nacionais, que também não conseguem tanta visibilidade no cenário nacional, também têm na feira uma oportunidade. A mesma SOMA aposta em artistas locais, de Curitiba, como Carina Weidle. “A Carina é em quem eu estou apostando", explica Meyer. "Ela tem obras na coleção Saatchi, expôs recentemente no Museu Oscar Niemeyer e chamou bastante a atenção, mas fica ‘escondida’ em Curitiba.”

A escolha dos artistas que estarão na feira depende de cada galeria. “A decisão é exclusividade do galerista. Cada uma tem o seu próprio ‘cardápio’, digamos assim, e escolhe o que quer oferecer”, explica Teca Lacerda, da galeria Papel Assinado.

No histórico da feira, nomes grandes do cenário contemporâneo atual já estiveram com trabalhos por lá, como a artista mineira Sonia Gomes, apresentada na primeira edição, em 2011. Gomes, na próxima semana, ganha uma exposição individual no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

Desafio do mercado

Num cenário de crise financeira, a aposta em nomes conhecidos tem prós e contras. "A feira começou porque víamos pouco espaço para artistas em começo de carreira", relembra Tâmara. "E com a receção, muitas galerias deixaram de admitir novos artistas." As organizadoras explicam que, para muitas galerias, a aposta não compensa, financeiramente. "O investimento é o mesmo para um jovem ou um consagrado. As galerias fazem uma baita produção, precisa de um retorno."

Foi, inclusive, por conta da falta de espaço em algumas galerias, que alguns coletivos de artistas surgiram. Alguns estão presentes na Parte, como o Coletivo Rifa, Grupo Aluga-se, Ateliê Alê e Grupo Pigmento. "Quando percebemos que algumas galerias estavam um pouco amarradas, vimos que o que havia de mais fresco estava nos coletivos de artistas e também nos ateliês coletivos."

Segundo Perlman e Schivartche, a feira, que acontece no Clube A Hebraica, em São Paulo, atrai diferentes tipos de compradores, o que pode gerar bons negócios. "Há dois perfis de compradores, o que já coleciona e sabe o que quer, e o que está começando a colecionar e quer um artista de seu tempo." A organização busca, na feira, desmistificar a questão do preço das obras, que, pode não ser tão alto quanto as pessoas esperam.

"É uma obrigação na feira, cada obra precisa estar etiquetada com o nome do artista, a técnica utilizada e o preço", explicam as diretoras. "É uma maneira de respeitar o público, muitas pessoas não sabem que podem ter uma obra de arte em casa. Facilita para o comprador e o processo fica mais rápido."

A feira abre espaço, ainda, para nomes consagrados, numa seção com galerias de mercado secundário, aquele que comercializa obras que já estão em circulação. O setor levará obras de nomes como Cândido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral.

Com ingressos a 20 reais, a feira espera atrair o público também com uma proposta curatorial numa seção de mostras individuais, que vão apresentar trabalhos dos artistas Laura Belém e Ivan Grilo. Até o último dia de Parte, em 11 de novembro, serão realizadas também atividades infantis e de debate sobre arte e filosofia.

10ª PARTE

Clube A Hebraica. R. Dr. Alberto C. De Melo Neto, 115. E-mail: contato@feiraparte.com.br. 5ª a sáb., 14 às 21h. Dom., 11 às 19h. R$ 20. Até 11/11.

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