Galeria Virgilio exibe mostras de Honório e de Belda

Em Exposição, o primeiro faz desencadear relações entre diferentes peças; o segundo expõe criações a partir da sinuca

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Em Exposição, Thiago Honório convida o visitante a fazer por si a narrativa de relações entre os elementos que ele reuniu na sala do primeiro andar da Galeria Virgilio. Apesar da simbologia tão forte por detrás de alguns deles (um ovo sobre um espelho em uma vitrine, duas carcaças de animais com chifres sobre uma base de jacarandá e placa de ouro gravada), o artista quer que vejamos cada coisa, eleita e transformada em objeto de exibição, em sua crueza. Formando grandes vãos entre os elementos, cria-se uma fina linha entre eles, um ''''feixe de relações'''' que a cada momento se torna mais intenso.Em última instância, como diz Honório, ele fala sobre o ato de exibir. Talvez, como ele completa, a concepção de Exposição, baseada em sua pesquisa de mestrado pela ECA-USP, tenha sido a videoperformance exibida justamente no fim da sala. Pura e simplesmente, no vídeo, Honório vai tirando pouco a pouco a fina casca de um fruto (um pêssego). Depois, o artista vai formando uma espécie de manta com a pele da fruta, ''''manta de toureiro'''', diz. Desencadeia-se, portanto, a relação com os chifres dos animais.E com o quadrado de couro na redoma de vidro, tabuleiro de pele que tem sobre si fio de chumbo retorcido; com o preto-e-branco da grande gravura exibida na parede; e com os dois ovos de avestruz perfurados e enclausurados em vitrine. Potencializa-se, assim, uma idéia de erótico inevitável - não à toa nas placas de ouro dos animais estão as inscrições dos nomes Bataille e Leiris, ''''contemporâneos e autores dissidentes do célebre grupo de surrealistas franceses'''', escritores, respectivamente, da novela História do Olho e do ensaio Espelho da Tauromaquia. Com a diversidade de meios, no trânsito entre eles, o artista afirma que é no ''''cruzamento de linguagens'''' que se pode, enfim, causar a estranheza e nos fazer chegar a uma clarividência: ''''As coisas querem ser o que são.''''Se se faz uma fina linha entre os trabalhos reunidos na sala, em outro espaço da galeria Honório promove a ''''extroversão'''': a obra Falo, pesando 3 toneladas, feita de um forte de 9 mil tijolos à vista e um cilindro de concreto de 60 cm de diâmetro que o interrompe, é até violenta. Estivesse lá sozinha, tomando todo o espaço, seria ''''muito formalista'''' e não faria parte crucial de uma operação cara ao artista, a de relacionar as questões de limite e contraste.Já no piso superior da galeria, Diego Belda exibe Malagueta, Perus e Bacanaço, recriações a partir de um tema, a sinuca. O título refere-se ao clássico conto e livro homônimo de 1963 de João Antônio: nele, três ''''profissionais do taco'''' saem na noite paulistana ''''para se darem bem''''.Belda chama suas obras de ''''pinturas ready-made'''' evocando o espírito de Duchamp, como diz: ''''Entre o projeto e a prática as coisas acontecem no jogo não tão aberto da arte.'''' Duas mesas de sinuca estão no espaço para serem usadas pelos visitantes e uma de suas obras foi deslocada para um bar de sinuca nos Campos Elísios - mas uma das mesas, na galeria, já carrega em sua forma a distorção que a envereda para o caminho dos outros trabalhos, ''''entre a idéia e o real''''. São grandes objetos, fixados nas paredes. Estão verticalizados para se relacionarem com o corpo humano. Nas obras reconhecemos o tecido verde das mesas de sinuca dentro da composição, assim como as taqueiras se transformam em composições geométricas.Serviço Thiago Honório e Diego Belda. Galeria Virgilio . Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 426, tel. 3062- 9446. 2.ª a 6.ª, 10 h às 19 h (sáb. até as 17 h). Até 15/2/2008

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