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Os quatro volumes da coleção Ópera Urbana revelam aos jovens uma São Paulo oculta pelo frenesi do cotidiano

Lucas Nobile, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Demorou pouco mais de seis anos até que um projeto idealizado para que o público adolescente paulistano pudesse ter contato com uma São Paulo que não conhecia fosse concretizado. Não que os jovens nunca tivessem passado pela Avenida Paulista, pelo Parque do Ibirapuera ou pelo cemitério da Consolação, mas com a coleção Ópera Urbana (Cosac Naify e Edições Sesc SP) eles têm a oportunidade de notar locais tão vistosos e que lhes estavam escondidos sob os olhares desbotados pela rotina frenética da cidade.O projeto, iniciado em 2003, chega às livrarias dia 14 de agosto em uma série de quatro livros que retratam a maior metrópole do País de uma maneira extremamente autoral e atrativa não apenas para adolescentes, mas também para adultos. O primeiro volume, embrião do projeto, foi Cidade dos Deitados (R$ 35), com texto de Heloisa Prieto e ilustrações de Elizabeth Tognato. Depois, vieram Montanha-Russa (R$ 35), de Fernando Bonassi e Jan Limpens, Surfando na Marquise (R$ 35), por Paulo Bloise e Daniel Kondo, e o livro ilustrativo Av. Paulista (R$ 49), de Carla Caffé. "Como não existia um trabalho com este tipo de proposta, o projeto nasceu sem receita pronta. Ao retratar a cidade de uma maneira diferente para o público infanto-juvenil, tivemos de pensar em algo completamente experimental, mas que não fosse hermético, de difícil entendimento", diz Augusto Massi, diretor-presidente da Cosac Naify e coordenador da coleção Ópera Urbana, ao lado de Heloisa Prieto e Daniel Kondo.O grande mérito da série é que ela não morre nas páginas dos livros, serve como um ponto de partida para que os jovens tenham o interesse despertado para conhecer melhor a cidade em que vivem. Além das histórias, os volumes são acompanhados de libretos - como nas óperas - que trazem serviços e informações relacionadas ao tema de cada livro, como se fossem almanaques. Cidade dos Deitados, por exemplo, cuja trama consegue ser bem-humorada, mesmo se passando em um cemitério, traz um guia complementar com curiosidades sobre a história do ponto de encontro entre mortos e vivos; uma planta do cemitério da Consolação, indicando onde estão enterradas grandes personalidades como Tarsila do Amaral, Oswald e Mário de Andrade, e Monteiro Lobato; profissionais que vivem da morte, como coveiros, zeladores de túmulos, sepultadores, vendedores de jazigos; poemas sobre o assunto; e um texto reflexivo do artista plástico Alex Cerveny. Outra mostra de que a coleção não se prende às capas duras dos livros é a criação de um site no qual o público tem a oportunidade de interagir e reconstruir sua visão de São Paulo. "Ler um livro é uma atividade muito solitária. Na adolescência, os jovens têm programas mais sociais. Para eles não abandonarem a literatura, criamos os libretos e o site para eles trocarem experiências", diz Massi. No espaço virtual, além de poderem ver pequenas animações feitas por Daniel Kondo, os usuários podem interagir com conteúdos colaborativos, como enviar fotografias de túmulos exóticos, recomendar a música ideal para um passeio no Parque do Ibirapuera ou registrar o trânsito de sua cidade em horário de pico. Professores e educadores também podem participar, propondo atividades online para os alunos a partir do conteúdo dos livros. "O site funciona como uma verdadeira enciclopédia em que cada um pode escrever sua própria cidade", conta Daniel Kondo, ilustrador e também coordenador de Ópera Urbana.Seguindo a intenção de que os leitores conheçam e reflitam sobre a cidade, a Cosac Naify e o Sesc SP organizam nos meses de agosto e setembro oficinas e debates sobre os temas apresentados nos livros. A programação completa pode ser encontrada no site (www.operaurbana.com.br). "Hoje em dia, os jovens recebem uma quantidade violenta de informações, sempre fragmentadas. A coleção consegue trazer um pouco de leitura reflexiva. Além disso, o encontro do autor com o público é benéfico para os dois lados. Faz com que aquela aura de um autor isolado seja desconstruída para os adolescentes", diz Danilo Miranda, diretor regional do Sesc SP.

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