Galactic dá choque de 2 mil volts no tradicional funk sulista

Destaque entre novas bandas de New Orleans enxerta hip-hop e eletrônica na tradição e faz som inapelavelmente dançante

, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Novíssimos representantes da tradição do funk de New Orleans, uma escola que teve nomes referenciais como The Meters, The JB?s, Booker T. & the MG?s e os Neville Brothers, chega a São Paulo hoje o quinteto Galactic, pela primeira vez no Brasil para um show no Bourbon Street - com abertura do nacional Funk como Le Gusta.É uma opção imbatível para quem pensa em balançar o esqueleto nesta madrugada. Os componentes desse novo combo do funk incluem combustíveis novos na sua mistura, como o hip-hop e a música eletrônica. "Nós quisemos tipo modernizar o som de New Orleans", diz o baixista Robert Mercurio, que formou a banda Galactic há uma década com o baterista Stanton Moore, o saxofonista e gaitista Ben Ellman, o tecladista Richard Bogel e o guitarrista Jeff Raines.Mercurio fala sobre o novo álbum do grupo, From the Corner to the Block (selo Anti Records), que mostra colaborações do Galactic com MCs de hip-hop e astros de outros ramos sonoros, como Lyrics Born (de São Francisco), Ladybug (Digable Planets), Boots Riley, Trombone Shorty, Lateef, o DJ Z-Trip, Chali 2na e o rapper Juvenile, entre outros. Em New Orleans, o Galactic é estrela de primeira grandeza, já lotando casas de concertos tradicionais da cidade, como o Tipitina?s."Nunca pretendemos fazer um disco de rap", disse Ben Ellman, que produziu o disco com o produtor Count (que trabalhou com DJ Shadow). Count também mixou o trabalho, que é nervoso, um choque de 2 mil volts no funk tradicional de New Orleans. As letras mostram um universo vizinho e familiar ao mundo do hip-hop. "Viver com medo não é vida/Então empacotei minhas coisas e caí fora", canta Mr. Lif em And I?m Out.Faixas com What You Need, Sidewalk Stepper e Fanfare mostram que o Galactic não está a fim de romper com a tradição, mas de enxertar em seu amálgama centenário um pouco do nervosismo da urbanidade - para além do destino turístico da Bourbon Street de sua cidade natal.O disco é difícil de ser executado sem os vocalistas convidados, já que o quinteto é instrumental. Então, hits mais antigos devem comparecer, como Baker?s Dozen. Ultimamente, a vocalista Chali 2na e seu irmão costumam acompanhá-los nas turnês, muito disputadas nos Estados Unidos. Eles costumam também "desconstruir" algumas canções de outras praias, como Immigrant Song, do Led Zeppelin. ServiçoGalactic. Bourbon Street. Rua dos Chanés, 127, Moema, 5095-6100. Hoje, 22 h. R$ 65

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