Andreu Dalmau.
Andreu Dalmau.

Fundação Miró amplia coleção no seu 40º aniversário

Mostra em Barcelona é apresentada em 8 ambientes, que salientam 'complexidade criativa' do artista e destacam os pontos importantes

EFE , O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2016 | 16h00

Nas comemorações do 40.º aniversário, a Fundação Miró reordenou e ampliou sua coleção permanente, que tem um total de 150 peças. A intenção é “criar uma variedade de leituras” sobre a obra de Joan Miró. 

A diretora da instituição, com sede em Barcelona, Rosa Maria Malet, ao lado da responsável pela conservação, Teresa Montaner, disse, em entrevista coletiva, que a coleção foi enriquecida com a incorporação de novas obras procedentes da família do artista e da coleção do japonês Kazumasa Katsuta. Também foram postas em destaque peças-chave como os trípticos (três pinturas unidas por uma moldura) Pintura sobre um Fundo Branco para a Cela de um Solitário, de 1968, e A Esperança do Condenado à Morte (1974), bem como a série de litografias Barcelona. 

A mostra é apresentada em oito ambientes, que salientam “a complexidade criativa” do artista e destacam pontos que marcaram suas pesquisas. O fecho, no fim de uma das rampas do edifício de Josep Lluís Sert, é uma nova sala multimídia, na qual se destaca um mural em forma de constelação com temas muito relacionados a Miró, como terra, Paris, guerra civil, Palma de Mallorca, Japão, surrealismo. 

Rosa Malet considera Miró “um artista identificável de imediato, mas que exige tempo para ser conhecido, o que agora será possível”. A exposição ocupa 1.558 m² em salas que o próprio Miró e Sert projetaram para acolher a coleção. Ela inclui pinturas, desenhos, esculturas, cerâmica e obra têxtil. Uma das ideias centrais do projeto de reordenação é “restabelecer o diálogo” entre as obras e o edifício projetado para acolhê-las, potencializando-se a relação entre arte, arquitetura e paisagem. 

Autorretrato (1937-1960), uma obra em dois tempos, abre a exposição, “sintetizando os dois eixos da nova apresentação: a transição da paisagem individual para o símbolo universal e o processo criativo do artista, que submete seu trabalho a uma revisão constante”. Nesse ambiente, Terra, destaca-se a obra Mont-roig, a Igreja e o Povoado, de 1918-19, catalogada no período detalhista; mas também chama a atenção Mulher Rodeada por um Bando de Pássaros na Noite, de 1968. Em Além da Pintura, são exibidas diferentes obras da época em que o artista catalão se propõe “assassinar” a pintura, como Pintura, de 1925, e Pintura, de 1927, em que se põem em questão as convenções e as táticas de representação. Outro espaço em destaque da reordenação é Violência, Fuga, com obras feitas no exílio francês durante a Guerra Civil Espanhola e, posteriormente, em 1940, no início da 2.ª Guerra, com obras como A Estrela da Manhã, de quando o pintor experimenta um desejo de fuga da realidade que se traduz na série Constelações. Os ambientes seguintes são Anonimato e Poesia e Silêncio, em que as obras expostas manifestam a “depuração” da linguagem de signos de Miró e seu interesse pela espiritualidade zen, destacando-se o tríptico Pintura sobre Fundo Branco para a Cela de um Solitário I, II e III, que fica no local que Miró e Sert denominavam “uma das capelas” do edifício. Outra das obras que atraem a atenção é Paisagem, de 1968, com um ponto difuso como único elemento referencial. 

O desejo de Miró por uma arte coletiva e pública aparece no ambiente Antipintura, em que se recupera o tríptico Mulher, Pássaro I, II e III, de 1972-73, de formato vertical e influência japonesa. Na última parte do percurso, Sobreteixims, está exposta uma tapeçaria sobre a Fundação, de 1979, e se enfatiza o interesse de Joan Miró pela cultura e arte popular, bem como pela “dignidade aristocrática” que ele outorga às ferramentas do camponês, como fica claro em Sua Majestade o Rei, Sua Majestade a Rainha e Sua Alteza o Príncipe, de 1974. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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