Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Fundação Ema Klabin busca digitalizar coleção por meio de financiamento coletivo

Com peças que abrangem mais de 3 mil anos de história, casa-museu inicia campanha para levar 250 obras de seu acervo à internet

Júlia Corrêa, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2021 | 05h00

Com pinturas, gravuras, esculturas e artes decorativas de diferentes civilizações, poucas coleções da cidade de São Paulo são tão abrangentes quanto a da Casa-museu Ema Klabin, localizada no bairro Jardim Europa. Em andamento desde o início do mês, uma campanha de financiamento coletivo busca, agora, levar parte desse rico e amplo acervo ao meio digital.

Entre 1940 e 1990, a empresária e mecenas Ema Klabin (1907-1994) formou um acervo composto por aproximadamente 1.500 peças, representativas de cerca de três mil anos de história da arte. Ao visitar sua residência, transformada em fundação em 1978 e aberta ao público há 14 anos, é possível encontrar itens tão impressionantes como objetos de bronze criados na China entre os séculos 13 e 12 a.C. e peças da Antiguidade Clássica, como uma escultura de pedra com a cabeça de Zeus.

Campanha. Se obtiver êxito, a iniciativa de arrecadação de fundos, aberta até o dia 25 de fevereiro, possibilitará que o público tenha acesso, de qualquer lugar, a 250 obras da coleção. O recorte inclui criações de mestres brasileiros e estrangeiros – entre elas, gravuras de Rembrandt e Albert Dürer, pinturas de Frans Post, Greuze e Marc Chagall, além de obras de modernistas como Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Brecheret, Di Cavalcanti e Portinari.

“Ao digitalizar, damos novas possibilidades de acesso às obras da coleção Ema Klabin: superamos as barreiras físicas, que hoje se fazem sentir mais intensamente com a pandemia, mas que existem mesmo em tempos normais”, diz Fernanda Paiva Guimarães, superintendente da fundação. Em sua visão, a digitalização promove “outro tipo de aproximação”, já que permite que mesmo aqueles que já tenham visto as obras de perto conheçam detalhes e ângulos que, muitas vezes, não são perceptíveis em uma visita presencial. Se, durante a pandemia, a fundação já apostou no diálogo com o público por meio de plataformas online, a ideia é que, com a concretização do projeto – e a despeito da perspectiva de reabertura da casa –, essa aproximação se intensifique, com ações educativas em torno do acesso às obras digitalizadas.

Metas. Contemplada pelo edital Matchfunding BNDES+ Patrimônio Cultural 2020, a campanha está estruturada em duas metas e traz uma proposta mista de financiamento. A primeira busca atingir R$ 199.500. Se forem arrecadados R$ 66.500, o banco aportará o dobro desse valor. O êxito desse primeiro momento permitirá a digitalização e a realização das atividades educativas. Mais ambiciosa, a segunda meta é de R$ 296.455. Se alcançada, possibilitará a realização de um conjunto maior de iniciativas, como uma ação inédita em realidade virtual, apresentações musicais e a ampliação da programação de cursos da fundação.

Recompensas. Para quem colaborar, há uma série de recompensas, que variam de acordo com o valor doado. Cotas entre R$ 20 e R$ 50 e entre R$ 50 e R$ 100, por exemplo, revertem-se, respectivamente, em marca-páginas e postais com reproduções de obras da coleção. Na primeira faixa, o colaborador também recebe um link para um vídeo especial produzido pelo núcleo educativo da fundação. Todas as faixas acima de R$ 50 dão direito ainda à escolha de uma imagem do acervo em alta resolução, para ser usada em funções como fundos de tela de computadores e celulares.

Doando mais de R$ 100, o participante ganha uma visita virtual exclusiva. Mais de R$ 200, um kit de literatura de cordel. Acima de R$ 500, uma sacola sustentável produzida pelo projeto de ressocialização PanoSocial, estampada com uma obra da coleção. Entre R$ 1.000 e R$ 5.000, as recompensas variam entre cursos livres, o recebimento de um livro fruto de pesquisa sobre a coleção, reproduções em fine art e xilogravuras.

As doações ocorrem pelo site benfeitoria.com/emaklabin.

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