Friendly Fires e o samba da farofa indie

Indicado para o Mercury Prize, o grupo inglês toca hoje no festival Popload Gig

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

Fogos amigos são aqueles que, por exemplo, podem abater um helicóptero ou um avião da sua própria Força Aérea. Mira ruim ou péssima pontaria, no entanto, não têm sido os problemas da banda inglesa Friendly Fires, que veio da pequena St. Albans, na Inglaterra, em 2006, para dominar o cenário indie pop em anos recentes - há um mês, ela foi indicada para o Mercury Prize, o mais destacado prêmio da música inglesa, ao lado de nomes como Glasvegas e The Horrors.Em 2008, seus integrantes fizeram o primeiro hit, a deliciosa canção dance Paris, que impulsionou a banda e a fez ser contratada para abrir shows da turnê inglesa do Interpol. "Um dia/Vamos viver em Paris/Eu prometo/Estou trabalhando nisso/Quando eu arrumar grana/Eu prometo."Bom, o Friendly Fires não vai levar você a Paris, mas voluntariamente veio até você e hoje toca pela primeira vez em São Paulo, em show com ingressos esgotados há uma semana (tocariam no sábado no Circo Voador, no Rio de Janeiro).O líder do grupo, o tecladista e cantor Ed Macfarlane, falou ao Estado por telefone há uns 10 dias, de Londres. Estava muito animado com a iminente vinda ao País - no seu novo disco, Kiss of Life, que está sendo lançado este mês, produzido por Paul Epworth (Primal Scream, Rapture, Bloc Party), eles se meteram a fazer uma batucada brasileira, um samba com farofa indie na cobertura."O Brasil é o lugar onde todas as bandas sonham tocar um dia", vibrava Macfarlane, que não via a hora de mostrar aqui a música que gravaram "com a inspiração solar" do samba brasileiro e uma pequena ajuda do ensemble expatriado London School of Samba. "Eles atuaram como seção de metais em nossa turnê e nos deram algumas ideias, e agora estamos decidindo uma colaboração com músicos brasileiros para nosso show. Queremos que os brasileiros vejam o que fazemos e queremos provocar interesse e reação", afirmou.Mcfarlane não é do tipo blasé. Ele se daria muito bem com Lulu Santos ou o pessoal do Skank. "Para mim, a coisa mais importante da música é conseguir fisgar o público. Não faço música para mim, ficar ouvindo com meus amigos, mas estou à procura, como todo mundo, da canção pop perfeita."Bom, se não é perfeito é quase o remix que o Aeroplane fez de seu hit Paris (ou o que o Thin White fez com outro hit, Jump in the Pool). O tecladista e seus dois parceiros (o guitarrista Edd Gibson e o baterista Jack Savidge) já tinham flertado com uma batucada em Jump in the Pool. "Veja bem: não fui educado em samba, não tenho intimidade. O nosso uso do samba é meio experimental, usamos a bateria e os metais como condimento", explica.Não é só o samba que ele conhece: já ouviu um bocado o baile funk brasileiro e o MC Créu, que acha divertido (e diz que quer ver um in loco), e sabe perfeitamente quem são os anarquistas do Bonde do Rolê e do Cansei de Ser Sexy, mas não se sente especialmente atraído. Acha que o Cansei de Ser Sexy enveredou por um caminho "muito anos 70", e não é um grande fã do grupo.Mcfarlane diz que a base de sua música é alguma "extravagância dance" combinada com elementos melódicos, e declara admiração por alguns grupos em particular - o LCD Soundsystem e o Chk Chk Chk. "Gostamos da música eletrônica, mas seu uso depende do contexto. Não pode extrapolar, ficar o tempo todo apertando o ?play? num show. É muito mais empolgante o show com bateria ao vivo, instrumentos tocados ao vivo. Torna o músico mais envolvido, e envolve mais a plateia."O Friendly Fires toca no evento Popload Gig, que na mesma jornada tem os brasileiros Copacabana Club e Brollies & Apples, do Rio de Janeiro. O Copacabana Club é uma trupe pop formada por Alec (guitarra e vocais), Caca V (vocais), Claudinha (bateria), Lulli Frank (guitarra) e Tile (baixo), e concorre a revelação no prêmio VMB da MTV deste ano. Lembra o Cansei de Ser Sexy há uns 6 anos.O Brollies & Apples é um combo ao estilo synth-punk pop (ou grunge/electro/glam, como preferem), formado por dois casais que se encontraram num pub em Camden Town, Londres, e resolveram juntar forças criativas. São eles: Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão, par que veio do grupo pop Leela, vencedor do Grammy latino de 2005 e Revelação da MTV no mesmo ano; e o outro par Carol Teixeira (letras, microKorg e vocais) e Fredi Chernobyl (ex-Comunidade Nin-Jitsu, que toca gadgets eletrônicos e guitarras). "De volta ao Brasil, como Bianca e Rodrigo moram em São Paulo e Carol e Fredi em Porto Alegre, a coisa foi rolando via internet", contam, em sua página no MySpace. Serviço Friendly Fires. Studio SP (450 lug.). Rua Augusta, 591, telefone 3129-7040. Hoje, 21 h. R$ 90 (ingressos esgotados)

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