Franz Weissmann esculpe seus pensamentos com lirismo

Exposição que será aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake joga luz sobre as obras realizadas pelo artista na década de 1950

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

A escultura Cubo Vazado é um marco na carreira de Franz Weissmann (1911-2005). Feita em 1951, a obra, das primeiras experiências radicais do pensamento construtivo no Brasil, lidava com a idéia de "vazio ativo", definição da crítica Sônia Salzstein - a parte interna do cubo de inox é vazada, como diz o título. Recusada pela 1ª Bienal de São Paulo, sob alegação de marcas de solda, ela perdeu as atenções para Unidade Tripartida, do suíço Max Bill, que ganhou a láurea do evento. Mas esse fato é apenas uma passagem na carreira de Weissmann: ao longo de sua vasta trajetória, ele se firmou como um dos mais importantes criadores e sua produção, como diz o crítico e curador Marcus de Lontra Costa, "é a matriz do pensamento escultórico no Brasil". "Ele foi um pioneiro e as pessoas não se dão conta disso", afirma ainda Lontra, curador de Franz Weissmann - Anos 50: Experimentação e Lirismo, a ser aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake.É uma mostra enxuta, com 14 obras, mas uma rara oportunidade de se ver reunidas a poética e a pesquisa escultórica de Weissmann em sua base. Pena não ter sido possível fazer, por falta de patrocínio, uma retrospectiva como o Tomie Ohtake tinha como projeto inicial. Entretanto, a instituição editou um livro sobre toda a carreira de Weissmann, que será lançado na próxima semana.A exposição apresenta, como diz Lontra, uma espécie de essência do pensamento do artista, o "berço" para que depois outros criadores brasileiros, como Waltercio Caldas, tomassem como referência. Cubo Vazado está lá (sem a marca de soldas) e outras obras que revelam a criação do artista que explorou novas dimensões do cubo e do quadrado - e depois, em sua carreira, agregou cor para "completar" as formas, tal afirmou certa vez o artista. A mostra reúne peças do início dos anos 1950, assim como três de 2003. E, ainda, criações de 1957 (momento do movimento neoconcreto, do qual fez parte): colunas ou "torres" que revelam evolução de seu "construtivismo heterodoxo", de raiz brasileira. Nelas há "lógica, elegância, sensualidade, equilíbrio precário, articulação de vários discursos", diz o curador. ServiçoFranz Weissmann. Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201, 2245-1900. 11 h/20 h (fecha 2.ª). Grátis. Até 1.º/2. Abertura hoje, 20 h, para convidados

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