Franco-belga vence no Amazonas

Amazonas Se o Vento Levanta a Areia, da diretora Marion H?nsel, levou o Grande Prêmio

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

Se o Vento Levanta a Areia, da belga Marion H?nsel, levou o Grande Prêmio do 4º Amazonas Film Festival na categoria filme de ficção. O vencedor foi anunciado pelo presidente do júri, o cineasta inglês John Boorman, que definiu o ganhador como ''''simples, verdadeiro e doloroso''''. Cada uma dessas palavras define o que é essa obra que retrata a travessia de uma família africana pelo deserto, enfrentando a fome, a sede e as guerrilhas que assolam diversos países do continente. O Prêmio do Júri Popular ficou com o único brasileiro em concurso, O Signo da Cidade, dirigido por Carlos Alberto Riccelli e interpretado por Bruna Lombardi. O casal estava presente à cerimônia, que ocorreu no Teatro Amazonas, e recebeu o troféu, com emoção.O Prêmio do Júri, espécie de segundo lugar no festival amazonense, foi dividido entre a aventura do tempo dos cossacos Ladrões de Cavalos, do belga Micha Wald, e o muito bom filme de guerra Assembly (Toque de Recolher), de Feng Xiaogang. Quem recebeu o troféu Vôo na Floresta pelo compatriota foi a atriz chinesa Bai Ling, uma das figurinhas carimbadas do festival. Bai Ling foi rainha dos fotógrafos e tanto fez para aparecer que, por um misterioso efeito de saturação, tornou-se simpática a todos. Disse que era muito amiga do cineasta e ele certamente estaria ''''enchendo a cara em algum boteco de Pequim''''.Também na categoria documentário, o Prêmio do Público ficou para um brasileiro - Navegar Amazônia - Uma Viagem com Jorge Mautner, de Jorge Bodanzky e Evaldo Mocarzel. O júri oficial, presidido pelo britânico Richard Brock, também concedeu uma menção a Navegar Amazônia, considerando-o um filme ainda em processo, ''''um work in progress que deve ser incentivado'''', disse. O Prêmio do Júri de documentários foi dividido entre Bushman''''s Forest, de Rehad Desai e Richard Wicksteed, e Before the Flood, de Jos de Putter. Mas o grande vencedor foi o francês Jagvak - Prince of the Insects, de Jérôme Raynaud.O troféu de melhor curta coube a Vida Maria, animação cearense sobre o sofrido ciclo de vida da mulher nordestina, que vem ganhando todos os festivais por onde passa, já há um ano. O Prêmio do Júri foi para Nas Asas do Condor, da amazonense Cristiane Garcia, sobre um episódio da infância do escritor Milton Hatoum. Filme sensível, realizado com atores, mas que se vale de maneira criativa do recurso da animação para mostrar o primeiro vôo de inspiração do garoto Hatoum. Vôo, no sentido literal do termo.Na categoria curta digital, quem fez barba e cabelo foi A Incrível História de Coti: Rambo de São Jorge, que faturou o Grande Prêmio do Júri e também o do Público. Coti é a segunda figura carimbada do festival. De prenome Aldenir, Coti fabrica portões no bairro pobre de São Jorge, em Manaus. Mas sua obsessão é mesmo ser Rambo, e passeou com a indumentária celebrizada por Sylvester Stallone durante todo o período do festival. Ao receber o troféu concedido ao filme de Anderson Mendes dedicado a ele, Aldenir chorou no palco. É assim, o nosso Rambo do 3º Mundo é um sentimental. O filme é bom e divertido; sem ser crítico, dedica-se ao personagem, evitando desconstruí-lo.Organizado por um francês, Lionel Chouchan, e pelo governo do Estado, o Amazonas Film Festival tem um caráter misto - é internacional e brasileiro. Do encontro entre o improviso bem nosso, e a o senso de ordem às vezes rígido deles, produz-se uma pororoca talvez bem interessante. Registros finais: a seleção de longas foi impecável. A premiação quase isso, não fosse o injusto esquecimento do australiano Lucky Miles, talvez o mais criativo dos concorrentes.O repórter viajou a convite da organização do festival

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