Francois Guillot/AFP
Francois Guillot/AFP

França leiloa obra atribuída ao pintor Caravaggio encontrada em sótão em 2014

A autenticidade da obra divide com violência os especialistas, que defendem cada vez mais a autoria de Caravaggio pela característica dos traços

Redação, EFE

14 de junho de 2019 | 12h45

A polêmica obra Judith e Holofernes, atribuída ao pintor italiano Caravaggio, embora sua autenticidade continue sendo motivo de debate, e encontrada em um sótão de Toulouse (França) em 2014, poderá ser vista na Galeria Colnaghi, em Londres, até 27 de junho, quando será leiloada.

A obra, exposta por horas na casa de leilões Drouot, tem um valor estimado dentre 100 e 150 milhões de euros, mas partirá de uma base de 50 milhões de euros na venda que acontecerá na cidade de Toulouse, na casa Marc Labarbe, que a encontrou em 2014.

"Não tenho nenhuma dúvida porque trabalhei nesta obra durante cinco anos. Quando apresentamos o quadro na Itália sabíamos que começávamos uma corrida entre escolas porque os especialistas se odeiam entre eles", disse Labarbe à agência EFE.

O quadro, datado em 1607, sumiu em 1617 e apenas cartas entre mercadores, assim como uma cópia do pintor Louis Finson, amigo e agente de Caravaggio, testemunhavam sua existência.

A autenticidade da obra divide com violência os especialistas, que defendem cada vez mais a autoria de Caravaggio pela característica dos traços.


A França classificou o quadro como Tesouro Nacional, o que outorgou ao governo três anos para decidir o que fazer com a obra, mas deixou esse tempo passar sem se pronunciar.


Os proprietários apresentaram recentemente um pedido para obter o certificado de exportação, que foi aprovado pelo país, e a obra será leiloada em um momento em que os interessados se multiplicam, especialmente nos Estados Unidos.


A similaridade das poses entre um primeiro quadro de "Judith e Holofernes" de 1600 e o de 1607 descartam, na opinião de Labarbe, que o autor da obra seja um admirador de Caravaggio, pois o banqueiro Ottavio Costa, que tinha encomendado pela primeira vez, o escondeu atrás uma cortina em sua residência.


"Espero que seja comprado por um amante do pintor. Também o vejo em um museu, francês ou estrangeiro. Irei vê-lo onde quer que seja exposto. Pode ser que o colecionador não queira expô-lo como aconteceu há 400 anos com Ottavio Costa", disse.


Os especialistas acreditam que o quadro, que foi encontrado sujo, mas em muito bom estado, passou despercebido para ladrões que roubaram o local anos atrás. 

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