'Cabeça de uma Mulher Jovem', pintura de Pablo Picasso interceptada pelo governo francês. Foto: AFP PHOTO / FRENCH CUSTOMS OFFICE
'Cabeça de uma Mulher Jovem', pintura de Pablo Picasso interceptada pelo governo francês. Foto: AFP PHOTO / FRENCH CUSTOMS OFFICE

Quadro de Picasso avaliado em 25 milhões de euros é interceptado na França

Obra, considerada tesouro nacional, pertencia ao banqueiro espanhol Jaime Botín, e foi proibida de ser exportada por uma decisão do governo e da Justiça espanhola

EFE

04 Agosto 2015 | 08h45

PARIS - O serviço de Aduana francês divulgou nesta terça-feira, 4, que interceptou em Córsega um quadro de Pablo Picasso avaliado em 25 milhões de euros, pertencente ao banqueiro espanhol Jaime Botín. A obra tinha como destino a Suíça apesar de estar declarado como não exportável pelas autoridades espanholas. A interceptação aconteceu na última sexta-feira, 31.

Os funcionários do escritório de Bastia, no noroeste da ilha, ficaram sabendo que a obra, Cabeça de Mulher Jovem, seria exportada por via aérea pela aduana local, e se apresentaram no barco em que o quadro estava guardado, solicitando os documentos pertinentes.

O capitão do navio "só pôde apresentar um documento de avaliação da obra, assim como um informe escrito em castelhano de maio de 2015, da Audiência Nacional espanhola, confirmando que se tratava de um tesouro nacional espanhol e que não poderia deixar o país em nenhuma ocasião", explicou o diretor adjunto da Aduana de Córsega, Vincent Guivarch.

O quadro pertencia a Botín, de 79 anos, que não estava presente quando os agentes abortaram a tentativa de exportção, que não estava sendo realizada em seu nome. O quadro estava embalado em papel bolha e pronto para ser transferido.

A Justiça espanhola havia proibido o irmão do falecido presidente banco Santander, Emilio Botín, de tirar o quadro do país em maio deste ano, confirmando uma decisão anterior do governo.

A obra é considerada única pelos responsáveis pelo Patrimônio Histórico espanhol, e o Museo Reina Sofía, de Madrid, também já havia destacado sua "excepcional importância".

O caso tem sua origem no pedido feito em 13 de dezembro de 2012, em que a empresa de leilões Christie's Ibérica solicita à Secretaria de Estado de Cultura da Espanha sua exportação definitiva a Londres - solicitação negada pelas autoridades.

A Secretaria afirmou na época que "é uma das poucas obras realizadas por seu autor dentro do período Gósol, etapa em que Picasso se vê claramente influenciado pela plástica da arte ibérica e os achados levados a cabo nesse momento influenciarão definitivamente, não apenas o cubismo, mas também a evolução da pintura no século 20".

As autoridades francesas esperam agora uma eventual petição de suas homólogas espanholas para recuperar a obra, adquirida por Botín em janeiro de 1977, procedente da Marlborough Fine Art de Londres. O quadro está custodiado "em um lugar seguro", adicionou o representante da aduana francesa, reforçando que o caso constitui "essencialmente uma disputa entre Botín e a Espanha".

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