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Fragmento de obra dos anos 1500 é atribuído a Rafael

A confirmação veio após um meticuloso projeto de estudo e obra data provavelmente de 1513

Redação, Ansa

12 de abril de 2021 | 09h43

Após décadas de debates, uma pesquisa científica atribuiu a Rafael Sanzio (1483-1520) o fragmento de uma obra doada para a Accademia di San Luca, de Roma, em 1834, pelo pintor Jean Baptiste.   

O Putto Reggifestone mostra a imagem angelical de um menino nu que estava ao lado do profeta Isaías e é datada como uma obra do início dos anos 1500, provavelmente, de 1513.   

A confirmação veio após um meticuloso projeto de estudo, pesquisa e conservação financiado pela ONG Mecenati della Galleria Borghese – Roman Heritage e que queria celebrar os 500 anos da morte do artista italiano.   

A discussão fez suscitar dúvidas se a pintura não se tratava de uma falsificação dos anos 1800, mas Pico Cellini, um restaurador e especialista em identificar fraudes em obras de arte, atesta que a assinatura encontrada na restauração é verdadeira.   

Cellini ressalta ainda que, durante a pesquisa da ONG, encontrou-se um testemunho de Giorgio Vasari, que narra “uma primeira versão de Isaías, criada por Rafael e que pouco depois foi destruída”.   

Além disso, a dificuldade de identificação da arte do pintor italiano foi também provocada “pelo comprometimento” da obra após uma restauração feita na década de 1960, que usou materiais inadequados.   

Ao contrário da pintura revelada agora, que tem uma qualidade extraordinária “compatível com a técnica utilizada por Rafael em suas obras corretas”. Os testes químicos das tintas usadas confirmaram o período e a compatibilidade com as peças do grande artista italiano.   

O processo para a identificação da obra contou com uma equipe multidisciplinar de especialistas, com professores, historiadores, pintores e restauradores, além de um engenheiro nuclear. Os profissionais trabalham no laboratório de restauração dos Museus Vaticanos, da Universidade de Estudos Roma Tre e da Universidade La Sapienza, também da capital italiana.   

“Trata-se de uma relevante descoberta que oferece à comunidade científica e ao público a possibilidade de rever e apreciar a maestria técnica que, em 1858, perante a essa obra, fez o pintor francês Gustave Moreau exclamar: ‘É o desenho mais bonito e com as mais belas cores reunidas'”, finaliza o comunicado.

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