Lucas Lenci/Divulgação
Lucas Lenci/Divulgação

Fotógrafo Lucas Lenci, depois de contemplar a paisagem, passa a se interessar pela figura humana

No livro 'Movimento Estático', o terceiro, o homem domina a paisagem, ou melhor, se integra de tal modo que o tempo parece ficar suspenso graças à montagem digital.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 03h00

Lucas Lenci, fotógrafo paulistano de 36 anos, fez sua primeira individual em 2009. Desde então, sua obra vem sendo discutida por críticos, comprada por colecionadores e, principalmente, registrada em fotolivros que disputaram prêmios internacionais. Neto de um nome mítico da fotografia brasileira, Peter Scheier (1908-1979), que começou sua carreira nos anos 1940 fotografando para o suplemento de rotogravuras do Estado, Lenci segue os passos do avô, que registrou as obras modernistas de Warchavchik, Oscar Niemeyer e Rino Levi. Prova disso é o livro Movimento Estático, do Estúdio Madalena, que será lançado amanhã, às 19h, no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE).

Não que Lenci tenha se dedicado à fotografia de arquitetura como o avô. No entanto, ela sempre foi referência em seus livros – e continua sendo em Movimento Estático, que destaca 17 construções de Amsterdã, Lisboa, Nova York, Paris, São Paulo e Vaticano. Elas, porém, são apenas pretextos de composições geométricas em que as pessoas, pela primeira vez, são as protagonistas da história.

Em Desaudio, seu primeiro fotolivro, tudo se passava em um território indiferenciado, onde a imagem, no limiar do desaparecimento, sucumbia à força monocromática do branco. No segundo livro, Hominini, os espaços vazios reclamavam a presença humana, que se afirmava no ambiente. Já em Movimento Estático, o terceiro, o homem domina a paisagem, ou melhor, se integra de tal modo que o tempo parece ficar suspenso graças à montagem digital.

“Depois de tanto contemplar a paisagem, comecei a me interessar pela figura humana”, observa Lenci, decidido a radicalizar o que fotografia faz de melhor: congelar o tempo. O título do livro, aliás, já é uma provocação, um desafio às leis da física. Seu amigo, o médico radiologista Fábio Faisal, que explora esse universo científico ligado à arte, diz Lenci, ajudou-o a entender o espaço de outra maneira, uma quarta dimensão enunciada por Duchamp.

Essa quarta dimensão, que seria a dimensão temporal, é “ilustrada” por uma montagem de fotos de Lenci numa estação de esqui, em que a ausência da linha do horizonte sugere que os personagens se movimentam no espaço indiferenciado de Desaudio – George Lucas usou o mesmo truque em seu distópico filme THX 1138, ambientado em uma época e local indefinidos (o cenário era todo branco, sem nenhum ponto de referência). A diferença é que Lenci usa prédios reconhecíveis, como o Museu de Cinema de Amsterdã. E busca criar composições que promovam uma metamorfose no ambiente urbano, como fez Edward Steichen com a arquitetura de Nova York. “Não dá para ignorar a história”, conclui Lenci. Com toda a razão.

MOVIMENTO ESTÁTICO

Museu Brasileiro da Escultura.

R. Alemanha, 211, tel. 2594-2601.

Amanhã, às 19h, lançamento do livro (preço: R$ 100)

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