PHOTO LISA RINZLER/SSEMBLAGE FILMS LLC
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Fotógrafo documental, Robert Frank morre aos 94 anos

Considerado um dos mais influentes do século 20, Frank deixou a Suíça para fazer sucesso com o clássico 'The Americans'

Redação, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2019 | 10h22
Atualizado 12 de setembro de 2019 | 07h08

Ícone da fotografia do século 20 e autor do fotolivro The Americans, que teve uma profunda influência nas gerações seguintes, Robert Frank morreu na segunda-feira, 9, aos 94 anos. The Americans, um clássico, reúne 83 fotografias de mais de 28 mil (700 filmes) tiradas pelo autor durante uma longa viagem por 48 Estados americanos entre abril de 1955 e junho de 1956. A série emblemática foi escolhida para inaugurar o novo prédio do Instituto Moreira Salles de São Paulo, na Avenida Paulista, em 2017. 

“Tentei esquecer as fotos fáceis para tentar trazer algo do interior”, explicou o autor, que prestigiava o senso de imediatismo e a ênfase no ponto de vista do fotógrafo. Quem assinou o prefácio do fotolivro foi Jack Kerouac, autor de On the Road. A obra, deprimente e subversiva, revela o lado sombrio do ‘sonho americano’ – pobreza, segregação, desigualdades e solidão, e foi bem-recebida na época.

Nascido em 9 de novembro de 1924 em Zurique, na Suíça, em uma família de industriais judeus alemães, Robert Frank se apaixonou pela fotografia muito jovem, trabalhando em laboratórios lá e na Basileia a partir de 1940. Em 1947, partiu para os Estados Unidos, onde passou a trabalhar como fotógrafo de moda e repórter em revistas como Fortune, Life ou Harper’s Bazaar. Rapidamente, percebeu que aquele mundo não era para ele.

Então ele viaja, primeiro pela América Latina e depois pela Europa, principalmente França, que ele adora. Em 1953, retorna para Nova York. Recusando pedidos de revistas, obtém uma bolsa da Fundação Guggenheim, que lhe deu a liberdade de fazer seu trabalho como quisesse. Assim começa a aventura de retratar os americanos, que o tornaria célebre.

Em 1961, ele apresenta sua primeira grande exposição em Chicago, seguida por muitas outras – Frank sempre trabalhou na seguinte ordem: fotografia, livro e só então a exposição.

Para o editor Gerhard Steidl, que em entrevista ao Estado em 2017 disse que Frank ainda fotografava todos os dias, o fotógrafo sempre se interessou pela relação entre as pessoas vivendo em certos países.

“Ele sempre teve o instinto de descobrir onde se posicionar numa multidão e olhar, através de sua câmera, para a alma das pessoas, de um país, de uma nação.” E o que ele fez em Os Americanos foi algo totalmente novo para a época – para além do que ele retratava.

"O layout do livro, a sequência sem nenhum texto, sem uma explicação, foi, para a época, muito revolucionário já que o fotolivro, em 1959, era, normalmente, um longo texto com algumas fotografias ilustrativas.”

Mas, com medo de se repetir, Frank troca a fotografia pelo cinema. Seu primeiro filme foi Pull My Daisy (1959). Os anos 70 foram conturbados: ele se separa, perde uma filha em acidente de avião e vê o filho mergulhar em uma doença mental (ele se suicidou no início dos anos 1990). No entanto, continua com suas experimentações formais em torno da imagem. Dirige ainda 20 filmes e volta mais ou menos à fotografia por meio da edição de instantâneos, trabalhando em negativos, ou polaroides. / COM AFP

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