Forró para dançar no escurinho

Pela primeira vez em São Paulo, o grupo brasileiro Forró in the Dark, que faz sucesso em NY, vem mostrar novas músicas

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 00h00

David Byrne cantou uma versão em inglês de Asa Branca, de Luiz Gonzaga, no primeiro álbum do quarteto brasileiro radicado em Nova York. Bebel Gilberto emprestou sua voz à quase fadada à extinção Wandering Swallow, música que se tornou famosa na voz de Peggy Lee tirada do mercado na década de 50 por acusação de plágio de uns compositores americanos sobre Juazeiro, de Humberto Teixeira e Gonzaga. E as noites entre as ruas 4 e 5 de Alphabetic City, em Nova York, mais precisamente na casa Nublu, nunca mais foram as mesmas.Mauro Refosco (zabumba e voz), Davi Vieira (percussão e voz), Guilherme Monteiro (guitarra e vocal) e Jorge Continentino (pífano, saxofone barítono e voz) são integrantes da banda Forró in the Dark, que difunde o ritmo nordestino com uma mistura eletrônica um tanto inovadora há cerca de seis anos na Big Apple - e lota a casa noturna onde se consagraram a cada show marcado. ''A gente não tem muita paciência para ensaiar. Então o Nublu acaba virando o nosso laboratório. É lá que experimentamos as músicas novas e checamos a animação'', conta o catarinense Mauro, que mora em Nova York desde 1992.Pois é a primeira vez que a banda chega ao País para se apresentar em São Paulo, e vai contar com a participação de Itaiguara Brandão no baixo - nas últimas vezes em que estiveram no Brasil, só tocaram em Belo Horizonte e no Rio, por incompatibilidade de agenda (no ano passado, por exemplo, eles acompanharam Bebel Gilberto em sua turnê mundo afora). O Forró in the Dark vem mostrar as músicas que lá em cima todo mundo já sabe cantar, do álbum Bonfires of São João, além de outras cinco que o quarteto acaba de reunir no EP Dia de Roda já lançado na Europa, em formato vinil, assim como o músico do texto ao lado, Maurício Takara. ''Vinil é sempre atrativo, é um trabalho muito mais artístico. É como uma impressão em madeira ou xilogravura'', desfia elogios. ''Fora que a qualidade do som é muito superior quando se tem um bom turntable e ótimas caixas de som.''Estão reunidas em Dia de Roda: Chororô, música de Mauro com letra de todos, Lost in the Ballroom, xote instrumental de Guilherme, Nonsense Call, outro xote, só que mais acelerado, de Davi, a música que dá nome ao EP, de Jorge, e Sebastião, diretamente da trilha de Deus e Diabo na Terra do Sol, música de Sérgio Ricardo com letra de Glauber Rocha. Pra todo mundo arrastar o pé, no escurinho ou não.ServiçoForró in the Dark. Choperia do Sesc Pompéia (800 lugs.). Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700. Amanhã e sábado, 21 h. R$ 6 a R$ 24

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