Fliporto abre sua quarta edição

Festa literária pernambucana reúne africanos e brasileiros

Antonio Gonçalves Filho, O Estadao de S.Paulo

06 de novembro de 2008 | 00h00

A quarta edição da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto 2008) começa hoje no balneário pernambucano com uma aula-espetáculo do escritor Ariano Suassuna. Até domingo, o evento, que tem como tema Trilhas da Diáspora: Literatura em África e América Latina, vai discutir as relações entre as duas literaturas e reunir 40 autores brasileiros e estrangeiros selecionados pelo curador da Fliporto, Antônio Campos, presidente do Instituto Maximiano Campos. Entre os convidados mais conhecidos estão os escritores angolanos Agualusa, Ondjaki e Pepetela.O homenageado da festa este ano é o escritor baiano Jorge Amado (1912-2001) pelos 70 anos da publicação de Jubiabá, cuja tradução francesa será analisada numa conversa entre Myrian Fraga e Lucilo Varejão Neto. A Fliporto também vai dedicar palestras ao centenário de morte de Machado de Assis e nascimento de Guimarães Rosa. Outro centenário de nascimento a ser lembrado é o do pernambucano Josué de Castro, fundador da Food and Agriculture Organization (FAO), entidade da ONU que busca extinguir a fome no mundo.Além dessas homenagens, os 120 anos da abolição da escravatura no Brasil serão discutidos por meio de análises das obras de Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre e Solano Trindade, entre outros. Porto de Galinhas foi um antigo porto de tráfico de escravos, cenário do primeiro congresso afro-brasileiro em 1934, organizado por Trindade e Freyre, que publicara no ano anterior o hoje clássico Casa-Grande & Senzala.Obras de autores consagrados como o português Lobo Antunes e a britânica Doris Lessing (Nobel de 2007) serão discutidas na Fliporto ao lado de escritores que começam a ser lidos no Brasil, como Paulina Chiziane, primeira mulher moçambicana a publicar um romance.

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